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Pinturas do começo do século 20 são mais procuradas que a arte pós-moderna

O mercado mundial de arte movimentou mais de 51 bilhões de euros em 2014, com um crescimento de 7% em relação ao ano anterior

Antonio Gonçalves Filho, O Estado de S. Paulo

11 Março 2015 | 03h00

O mercado mundial de arte movimentou mais de 51 bilhões de euros no ano passado, registrando um crescimento de 7% em relação a 2013, embora o nível de transações ainda seja inferior ao registrado antes da grande crise financeira de 2008. Esses números fazem parte do relatório anual preparado pela especialista Clare McAndrew para a Tefaf 2015 – The European Fine Art Foundation, a mais exclusiva feira de arte europeia, que abre suas portas amanhã para um preview destinado a colecionadores, em Maastricht, Holanda. A Tefaf ficará aberta ao público de sexta, 13, ao dia 22, apresentando mais de 30 mil objetos que resumem 7 mil anos de história da arte. 

Um passeio pela feira, da qual participam 270 galerias de vários países, confirma uma tendência verificada por Clare McAndrew em seu relatório, a de investir em mestres do primeiro modernismo, que disputam espaço com os contemporâneos – até então imbatíveis. Os impressionistas e pré-impressionistas responderam, em 2014, por 12% das vendas em leilões internacionais (algo em torno de 1,5 bilhão de euros). Os EUA, mais uma vez, se destacam no papel de líder do mercado, abocanhando 34% dele.

A Tefaf deste ano tem modernos para todos os gostos, mas não para todos os bolsos, de Bonnard a Salvador Dalí, passando por Gauguin, Calder, Dufy, Monet, e Matisse (os dois últimos bateram recordes no último leilão da Sotheby’s, em fevereiro, alcançando, respectivamente, 33 milhões de euros e 22 milhões de euros). Entre os contemporâneos, a lista é igualmente eclética, comportando desde Baselitz a Damien Hirst. Mas, se o cliente quiser retroceder no tempo, uma galeria de Florença, a Moretti, está oferecendo uma Madonna do renascentista italiano Sandro Botticelli (1445-1510) por alguns milhões de euros. Para não ficar atrás, a galeria parisiense Les Enluminures colocou à venda um livro de orações com 14 gravuras do pintor e gravador alemão Albrecht Dürer (1471-1528). Há tantos Picassos à venda que os contemporâneos vão ter dificuldades em manter suas cotações, considerando o relatório, que aponta um súbito interesse pelos mestres do passado e modernistas.

Bem, parece óbvio que, entre um Matisse e um Jeff Kooons de US$ 58 milhões, qualquer colecionador esperto ficaria com o primeiro. O mercado está mais seletivo. A prova está nos números: o setor “velhos mestres” respondeu por 8% das vendas em leilões internacionais em 2014, o que representa um valor 11% superior ao período anterior, algo como 582 milhões de euros.

Este ano, uma nova iniciativa da Tefaf quer dirigir o olhar dos colecionadores para a arte escultórica. Uma exposição temporária chamada Night Fishing (Pesca Noturna), organizada por Sydney Picasso e Hidde van Seggelen, vai destacar a escultura pós-moderna e o trabalho de artistas como o inglês Tony Cragg, que está para a atualidade como Henry Moore para o pós-guerra, considerando ainda a atenção de ambos para o corpo humano – no caso de Cragg, fragmentado e expondo sua estrutura básica. Moore tem uma histórica escultura à venda na Tefaf, Duas Mulheres Sentadas e Criança, peça em bronze de 1945. Vendas anteriores do escultor inglês registraram preços superiores a 26 milhões de euros.

Contudo, segundo aponta o relatório da Tefaf, negociantes de arte não se mostram muito otimistas sobre a situação econômica na Europa, o que pode significar um novo desafio para os galeristas europeus, especialmente com o ingresso dos chamados consultores de arte no mercado, que eles consideram atravessadores. Os países emergentes não representam ainda um perigo, registrando 10% das importações mundiais de obras de arte e 8% das exportações. A China lidera o grupo dos países do Bric, mas viu suas vendas estagnarem em 2014.

O Brasil, um exportador de arte com alguns nomes disputados no mercado internacional, ainda vende pouco em comparação aos chineses, mas os números estão crescendo, embora nada além de 100 milhões de euros anuais, o que daria para comprar só três telas de Monet. Pode ser que as vendas online consigam alterar um pouco esse panorama: o relatório da Tefaf estima que elas atingiram 3,3 bilhões de euros em 2014, algo como 6% do mercado global. Os EUA continuam na liderança: ocupam 38% do mercado exportador e 32% do importador. A França continua sendo seu maior fornecedor. No mercado europeu, a liderança do mercado é dos ingleses, seguidos pelos franceses e alemães. Detalhe: a Inglaterra é o centro do comércio dos velhos mestres. Responde por metade das obras de arte antiga vendidas em leilões. As feiras de arte representam 40% das vendas, atingindo 9,8 bilhões de euros.


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