Pintura como parte de uma trama de ficção

Esse é o mote do curta Uma Noite no Escritório, dirigido por Rodrigo Andrade e Wagner Morales

Camila Molina, O Estadao de S.Paulo

27 de setembro de 2007 | 00h00

Pesadelo em tom cômico. Assim o artista plástico Rodrigo Andrade define o curta-metragem Uma Noite no Escritório, filme que ele assina com Wagner Morales e que estréia hoje em sessão no Espaço Unibanco. Pesadelo cômico não se refere à experiência de sua incursão no cinema, mas à trama do filme: em 1939, um diretor de banco, o sr. Wilson, interpretado pelo próprio Rodrigo Andrade, começa a ter alucinações. No decorrer de seu trabalho burocrático, em um prédio tão suntuoso e frio, o sr. Wilson passa a ver pinturas espessas, monocromáticas, retangulares e circulares nos ambientes e até nas peles do contínuo do banco, Jurandir, e de sua "erotizada" secretária, Clotilde.A idéia surgiu quando, em 2005, Rodrigo Andrade realizou a exposição Paredes da Caixa, no Museu da Caixa Econômica Federal em São Paulo. Nessa mostra, o artista fez suas características intervenções pictóricas (espessas massas de tinta em formatos retangulares e circulares em lugares inusitados) em ambientes do antigo prédio de 1939, onde antes funcionavam escritórios. "Pensei que poderia fazer um filme em que a pintura atuasse não somente no espaço, mas também numa trama ficcional", conta Rodrigo. Foi um passo para criar o roteiro desse inusitado trabalho "auto-irônico" feito em parceria total com Morales, que se transforma em paródia e série de junções. No elenco, além de Andrade, Morgana Dark, o crítico Alberto Tassinari, Wagner Malta Tavares, Paulo César Pereio, Marcos Brias, Ana Paula de Castro e Vito Macchione.

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