Peter Bjorn and John e a nova e fina batalha da Invasão Sueca

Trio indie vem pela primeira vez ao País a bordo de um novo disco, Seaside Rock

Jotabê Medeiros, O Estadao de S.Paulo

17 de setembro de 2008 | 00h00

Da Suécia, chega ao Brasil esta semana outro biscoito fino da música indie internacional: o trio Peter Bjorn and John, de Estocolmo, cuja música climática deve débitos a bandas esquecidas dos anos 70 e 80, como Aztec Camera, The Felt, The Go Betweens. E também aos brasileiros Caetano Veloso e Jorge Ben Jor.Quem conta é Peter Moren, o primeiro nome da tríade, em entrevista ao Estado por telefone. "Sempre gostamos da MPB, especialmente dos clássicos: Caetano Veloso, Milton Nascimento, Jorge Ben". PB&J estão em todas: em Roskilde, Dinamarca, no ano passado, fizeram uma divertida jam com os Klaxons.O maior hit de sua carreira, Young Folks, tornou indefectível no mundo indie o assoviozinho à Velvet Underground que abre a canção - todo mundo assovia na hora que a música começa. Além de Peter (voz, guitarras e gaita), o grupo tem Björn Yttling (voz, baixo e teclados) e John Eriksson (voz, bateria, percussão). Eles são a mais famosa atração que já baixou aqui para o festival Invasão Sueca.Ouvi dizer que vocês fizeram dois discos novos ao mesmo tempo, um instrumental e um cantado. Sim. O instrumental já está pronto, chama-se Seaside Rock. Será lançado no fim desse mês nos Estados Unidos e Europa. O outro, ainda estamos trabalhando nele, será lançado provavelmente em março. Em uma das músicas que estávamos compondo, experimentamos fazer só com instrumentos. Funcionou, e aí nós começamos a imaginar como seria um disco inteiro só instrumental, e começamos a compor. As coisas corriam em paralelo, então sobraram também canções para outro álbum.Ouvi que Kanye West convidou você para abrir shows dele em Nova York, é verdade?Não, não é. Você foi mal informado. Mas nós tocamos com ele no ano passado em Gotemburgo, Suécia. Era um festival, e fizemos uma jam session com ele. Não foi algo de grande valor musical. Nós tocamos em diferentes direções. Foi divertido, mas não acho que foi algo de muita qualidade.Vocês vão tocar aqui músicas principalmente de seu disco mais recente, Writer?s Block? Haverá alguma surpresa?Acho que vamos tocar canções dos nossos dois primeiros álbuns e algumas também de Writer?s Block. Mas não haverá canções novas, porque nós não sabemos tocá-las direito ainda.Há uma cena muito particular na Suécia, gente como Jens Lekman, El Perro del Mar. Todas com um som muito suave. Você tem uma explicação para isso?Não sei. Esse é o clichê sueco: a gente vê muito filme do Ingmar Bergman, então se torna melancólico e depressivo. E aí nós escrevemos canções melancólicos (risos). Mas há muitas bandas que também escrevem canções felizes. Quando ouço seu som, e não tem esse efeito em mim. Eu me sinto feliz.Isso não é ruim (risos). Mas é um tipo diferente de felicidade, não é só lalalalá.Aquele assovio coletivo que a platéia faz quando vocês tocam seu maior hit, Young Folks, aquilo uma bênção ou uma maldição?Depende. É diferente de lugar para lugar. Acho ruim quando as pessoas só conhecem essa e não conhecem as outras canções. Então, quando nós fazemos um monte de barulho, elas dizem: oh, isso é muito alto para mim! Mas é uma bênção, claro. Nós só nos tornamos credenciados para tocar em tantos lugares por causa de sucessos como esse. É algo que me faz muito feliz.Às vezes comparam vocês com Belle and Sebastian. Isso é bom?Gosto de alguns dos discos deles. Mas especialmente, talvez tenhamos ouvido a mesma música, The Go Betweens, Felt, Orange Juice, Aztec Camera, Galaxie 500. Mas não gosto mais dele do que das minhas influências. Também não desgosto deles. . Nós gostamos todo tipo de música, as velhas trilhas, jazz, reggae. Desde que seja pop. Tudo é boa medicina.

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