JF Diório/Estadão
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Perto do fim da Bienal de São Paulo, projeto educativo é destaque

Mais uma chance para conferir a 33.ª edição da Bienal de São Paulo, que fecha suas portas neste fim de semana, no domingo, dia 9

Guilherme Sobota, O Estado de S. Paulo

07 Dezembro 2018 | 06h00

A 33.ª edição da Bienal de São Paulo – que sem um tema previamente escolhido foi definida pelas noções de “afeto” e “atenção” – vai chegando ao fim: este é o último fim de semana que a maior exposição de arte contemporânea da América Latina fica aberta no Pavilhão do Parque Ibirapuera. Uma programação de “ativações” das obras será cumprida até o domingo, dia 9 (é possível entrar até às 18h), quando a Bienal fecha até 2020. A entrada é gratuita.

Números oficiais de público e outros dados só devem ser divulgados após o fechamento das exposições.

A superintendente executiva da Fundação Bienal, Luciana Guimarães, explica que um movimento recente da instituição é sistematizar informações e dados colhidos antes e durante a Bienal para balizar o processo de avaliação posterior – uma pesquisa é feita no local com o público visitante, mas também com os profissionais envolvidos no evento –, processo realizado pela equipe permanente da Bienal (hoje são 59 pessoas).

“Fazemos reuniões periódicas de avaliação sobre vários aspectos, desde as publicações até a expografia, e agora garantimos que uma série de informações e dados esteja à disposição da próxima mostra”, afirma. “Há cerca de 10 anos, uma nova equipe assumia a cada edição da Bienal, então esse acúmulo se perdia. Um corpo permanente de funcionários ajuda muito nesse sentido.” A intenção é melhorar a “qualidade da experiência” dos visitantes.

Para a superintendente, um dos destaques dessa edição foi o sucesso dos “exercícios de atenção” propostos pelo projeto educativo da Bienal.

O projeto deixava disponíveis cartas com, se não instruções, caminhos possíveis para apreciar as obras de arte com mais atenção e assim proporcionar um entendimento melhor e uma experiência melhor. As cartas propõem processos de identificação e registro das obras, que vão desde perceber a superfície dos objetos até praticar um movimento corporal a partir daquela expressão artística, por exemplo.

“Vimos a potência desses exercícios de atenção, do espírito de dedicar tempo às obras, se fazer perguntas e desestigmatizar o aspecto ‘difícil’ da arte contemporânea”, explica a superintendente – os exercícios, disponíveis para qualquer visitante da Bienal, foram ao longo dos últimos meses oferecidos para equipes que trabalham no parque, como na jardinagem e limpeza, e também para grupos organizados que poderiam ser de colecionadores de arte ou psicanalistas experientes.

Para a superintendente, os exercícios conversaram diretamente com a questão muito contemporânea do intervalo de atenção rarefeito.

Faz parte do mesmo movimento a intenção da Bienal se conectar de maneira mais profunda com o parque em que está situada, segundo Guimarães. “Não ter catracas na entrada, colocar o guarda volumes para fora do Pavilhão, criar um ambiente mais favorável ao ecossistema em que a Bienal está envolvida, tudo isso faz muita diferença”, analisa. “Foram opções que implantamos na edição passada e decidimos manter nessa, na expectativa de ampliar o público e o conforto do mesmo.”

Para ela, ajustes como esse, que podem ser simbólicos, contribuem no desafio de tornar a arte contemporânea acessível.

Programação. Uma série de atividades e performances faz parte da agenda dos últimos dias da Bienal de São Paulo. Sábado (11h30) e domingo (16h30), o artista francês Tal Isaac Hadad faz sua performance Récital for masseur (Recital para um massagista), em que usa corpos de pessoas (músicos e pré-inscritos) como instrumentos musicais, no 1.º piso; às tardes, nos dois dias, sob curadoria de Sofia Borges, um grupo de mulheres interage artisticamente com uma obra de Tunga; no sábado, às 19h, músicos da Camerata Aberta da Cultura Artística se apresentam instalados na obra de Alejandro Corujeira.

Destaques da Bienal de São Paulo

Vânia Mignone

As pinturas pop e apocalípticas da artista incorporam elementos da cultura popular brasileiro à estética dos quadrinhos, cinema e videogames (3.º andar).

Nelson Felix

O artista carioca montou a instalação com suas esculturas pesadíssimas na Bienal, mas é curioso entender como elas se relaciona com peças sintéticas espalhadas por São Paulo e por pontos na América Latina (2.º andar).

Tunga

Morto em 2016, o escultor é reverenciado pelos artistas curadores Sofia Borges (térreo) e Waltercio Caldas (3.º andar).

Feliciano Centurión

O artista paraguaio morto em 1996 tem seu trabalho com costura e tecidos resgatado pela homenagem na Bienal (3.º andar)

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