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Perícia comprova que afresco em museu de SP pertence a Portinari

Obra foi descoberta na casa do pintor na cidade de Brodowski

Rene Moreira - ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S. Paulo

30 Dezembro 2014 | 14h28

BRODOWSKI - Um laudo divulgado por pesquisadores nesta semana confirma que a obra encontrada na casa onde viveu Candido Portinari, em Brodowski (SP), uma cidade próxima de Ribeirão Preto, é mesmo de sua autoria. Trata-se de um afresco que retrata uma mulher segurando um menino no colo e que foi produzido pelo pintor por volta de 1937, mas com a ajuda de uma pessoa ainda não identificada.

A descoberta se deu durante a reforma do imóvel realizada no ano passado e que custou R$ 4,2 milhões. Para os estudiosos da USP (Universidade de São Paulo) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), essa obra reforça o pioneirismo do pintor e seu lado colaborativo. O grupo de análise foi criado para resgatar detalhes da vida do artista plástico, considerado um dos principais do Brasil.

A nova pintura já recebeu até nome, "Madona com Menino Jesus", e estava debaixo de 15 camadas de tinta na parede da varanda da casa. O estudo do trabalho começou em maio, sendo preciso utilizar técnicas avançadas para se chegar a esta conclusão. A residência hoje abriga o Museu Casa de Portinari e na obra é possível notar traços característicos do artista e outros que não fazem parte de seu estilo, deixando evidente a participação de outra pessoa.

A pintura de uma mulher de cabelos escuros com uma criança de olhos azuis foi encontrada pelos restauradores. A reforma da casa durou dois anos e foi necessária após a constatação de que umidade e outros problemas estariam prejudicando obras e relíquias do pintor que estão expostas no local. Portinari viveu um tempo em Brodowski, mas depois mudou para o Rio de Janeiro e ficou conhecido no mundo todo.

O artista nasceu em 1903 e morreu em 1962, sendo que em uma foto antiga sua ao lado da família é possível ver ao fundo esse mesmo desenho. Há relatos de que Portinari recebia amigos em sua casa e costumava deixar que também pintassem na parede. De acordo com o restaurador Júlio Moraes, a obra tem características típicas do pintor, como o tom de azul na roupa da mulher.

A descoberta também reforça a tese de que Portinari foi um dos primeiros no Brasil na produção de afrescos, tipo de pintura pouco conhecida no país naquela época. Após confirmar a autenticidade, os pesquisadores encaminharam o laudo ao Museu Casa de Portinari, devendo a obra ser inserida entre os mais de 5 mil trabalhos já catalogados do pintor.

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