Perc Pan festeja 15 anos com Stomp

Grupo americano é a atração principal do festival, que traz também Laudir de Oliveira e grupos da Espanha, de Guiné e Cuba

Lauro Lisboa Garcia, O Estadao de S.Paulo

11 de setembro de 2008 | 00h00

Com a reputação de ser o mais significativo festival do gênero no País e na América do Sul, o Perc Pan - Panorama Percussivo Mundial festeja 15 anos em Salvador (no Teatro Castro Alves) e no Rio, a partir de segunda-feira, com uma programação robusta. A atração de maior repercussão internacional é o grupo americano Stomp, que combina música, dança e malabarismo. Do exterior, também vêm as garotas do grupo espanhol Faltriqueira, da Galícia, o grupo africano Amazones, da Guiné, e os cubanos do Sintese.Outros nomes de peso são os brasileiros Laudir de Oliveira e Wagner Tiso. Os baianos são representados pela Orkestra Rumpilezz, que fazem música inspirada no jazz e no candomblé, e por Orlando Costa, que já tocou com Caetano Veloso, Marisa Monte e Ney Matogrosso, entre outros. O elenco se completa com os cariocas dos Ritmistas.Entre as boas novidades do festival está a mudança de local dos shows no Rio. Depois da experiência frustrada na Fundição Progresso - que é um lugar muito bonito, porém, com acústica precária -, o evento ocupa o recém-reinaugurado Teatro Casa Grande (Rua Afrânio de Melo Franco, 290, Leblon, tel. 21 2511-0800), que ganhou o Oi do patrocinador no nome. O teatro passou no teste de boa visibilidade e acústica quando Caetano Veloso gravou ali o DVD de seu show Obra em Progresso."Na Fundição não dava para fazer mais. Por causa da acústica, tanto o público como os artistas saíram prejudicados", diz a antropóloga e produtora baiana Beth Cayres, idealizadora do Perc Pan. Ela também divide a curadoria do festival com o percussionista carioca Marcos Suzano, que atua como anfitrião e faz a ligação entre os convidados com improvisos e prováveis participações nos shows.Laudir de Oliveira, um dos embaixadores da percussão afro-brasileira no exterior, já trabalhou com Sérgio Mendes e Joe Cocker, entre outros, e preparou uma homenagem especial ao mestre baiano Dorival Caymmi (1914-2008) ao lado de Paulo Moura e Marco Lobo.O Stomp, que como Olodum tempos atrás, virou uma espécia de franquia, não é novidade por aqui. Está até nos cinemas em propaganda do sistema sonoro dolby stereo. O grupo Sintesis, liderado por Carlos Afonso, tem 12 discos lançados e faz uma mescla do son tradicional cubano com jazz e rock. Já esteve no Brasil, tocando numa das tendas do Rock in Rio 3. As espanholas do Faltriqueira começaram tocando ritmos tradicionais da Galícia, mas incorporaram a música de diversos países em seu repertório. Outro grupo formado só por mulheres, o Amazones também tem experiência planetária e misturam canto e performance.Pode parecer estranho um pianista como Wagner Tiso participar de um evento de percussão, mas o Perc Pan já tem um longo histórico nesse formato de misturas. Cantores como Caetano Veloso e Maria Bethânia já fizeram shows em que privilegiaram certas ligações de sua música com a percussão. "Quem não tem um trabalho mais ligado à percussão, a gente convida, mas explicando qual é o conceito do festival, como é o caso do Wagner", diz Beth. "Na maioria dos casos, eles se adaptam, mas às vezes é difícil para certos artistas fazer coisas fora de seu habitual." É o caso de Jorge Ben Jor, que fez o show de sempre no festival.Como é comum no Perc Pan, todos os artistas participam de workshops (gratuitos), que serão realizados em dois espaços no Rio (Centro Cultural Banco do Brasil e Oi Futuro), de manhã e à tarde na terça e na quarta. Em Salvador, a maioria das oficinas será na Praça Pedro Arcanjo, no Pelourinho, abertas ao público. Wagner Tiso também leva para a capital baiana o projeto Cirandando Brasil, para um encontro cultural numa escola da rede pública. "Conseguimos este ano, com esses encontros, uma forma bem intensa de democratizar a cultura", diz Beth.São Paulo, desta vez, ficou de fora. "Foi muito bom ter feito o festival aí no Auditório Ibirapuera e no Morro do Querosene", diz Beth. "Fiquei sentida de não poder fazer aí este ano. O problema é aquele de sempre. A gente depende de lei de incentivo, o processo é lento. Aí você consegue fechar a agenda para duas cidades e quando vai para a terceira já não dá mais tempo. Comecei a fazer a captação para esta edição há mais de um ano", conta.Segundo Beth, a programação deste ano era para ser maior, com uma grande feira de música, além dos shows e dos workshops, mas é "o que coube dentro da verba incentivada, sem diminuir a qualidade". A feira de fomentos vai ficar para 2009, paralela ao festival.

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