Pense bem antes de comprar o imóvel

Toda precaução é recomendada para que não haja problemas [br]após a mudança

O Estadao de S.Paulo

15 de maio de 2008 | 00h00

Em uma feira que oferece 90 mil opções de compra, há motivos de sobra para que o visitante fique um pouco confuso. Portanto, é preciso muito cuidado para não fazer a escolha errada.Em primeiro lugar, é necessário definir o valor da casa que vai caber no seu bolso e onde ela deve estar localizada. "O cliente nunca deve comprar um imóvel situado em um local distante do seu trabalho e de outras regiões que costuma freqüentar, mesmo que ele seja bem mais barato que os demais", aconselha João Crestana, presidente do Sindicato da Habitação (Secovi-SP).Para Crestana, essa economia é ilusória. "O tempo e o dinheiro que ele vai gastar com deslocamento não vão compensar a verba que será poupada no início."Depois de decidir o lugar em que pretende morar, o futuro proprietário deve visitar o empreendimento em diferentes horários. Assim, ele poderá verificar qual é o perfil dos moradores da região e conferir se a rua é tranqüila ou muito barulhenta. Conversar com a vizinhança também é imprescindível. "Só quem mora no lugar é capaz de passar informações valiosas a respeito da segurança e da infra-estrutura do local", afirma Wilson Gomes, consultor da Associação Brasileira de Moradores e Mutuários (ABMM).Mas conhecer bem as redondezas não basta. É recomendável examinar o interior do imóvel com bastante cuidado. Caso se trate de uma casa usada, é recomendável verificar a situação do encanamento e da fiação. O engenheiro da Caixa que vistoria o empreendimento tem a obrigação de checar as instalações. Porém, o cliente deve pedir para ele registrar os detalhes no relatório. Assim, caso aconteça algum problema no futuro, o documento servirá de base para uma eventual ação contra o antigo proprietário.Quando decidir pela compra, o mutuário deve fazer o possível para reduzir ao máximo o prazo de financiamento. "Quanto menor for o tempo da dívida, menor serão as chances de enfrentar problemas no meio do caminho", declara Gomes.O consultor da ABMM comenta que são muito comuns as queixas de mutuários que perderam o emprego ou enfrentaram alguma outra dificuldade que os impediu de ficar em dia com as prestações. "Há vários casais que se separam e depois não sabem o que fazer com a dívida", diz Gomes. Ele ressalta que a maioria dos financiamentos da Caixa são feitos pelo regime de alienação fiduciária. Isso significa que, em caso de atraso no pagamento, a instituição pode retomar o imóvel - já o mutuário só se torna de fato dono do bem uma vez quitadas as prestações. "Por isso, é necessário planejar bem a compra e, se possível, guardar algum dinheiro para os tempos de vacas magras", recomenda Gomes.

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