SP-Arte
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Pelo segundo ano, SP-Arte abre espaço para design

Com mais de 20 galerias, setor traz obras de Carlos Vergara, Oscar Niemeyer e Claudia Moreira Salles

Antonio Gonçalves Filho, O Estado de S. Paulo

05 Abril 2017 | 04h00

Mais de 20 galerias participam da segunda edição de design na 13.ª SP-Arte. Algumas têm uma história de 30 anos, como a Etel, que leva o nome de sua fundadora, Etel Carmona. Outras são estreantes, como o Estúdio Mameluca. A busca de um design autoral ligado à arte fez com que a primeira se associasse ao reconhecido pintor gaúcho Carlos Vergara, que ganha no terceiro andar do Pavilhão da Bienal um espaço para o seu Gabinete de Curiosidades do Artista.

Vergara, um nome histórico, que organizou há 50 anos a mostra Nova Objetividade Brasileira no MAM carioca, reunindo o melhor da vanguarda brasileira, tem agora como parceira a designer Etel Carmona na construção de relicários – biombos e mesas em que Vergara deposita suas relíquias, obras que traduzem o impacto de suas andanças pelo mundo, da Capadócia ao Caminho de Santiago. Nesse gabinete de curiosidades estão, por exemplo, peças baseadas nas Missões do Rio Grande do Sul, cujas ruínas inspiraram monotipias do artista que, junto a fotos, peças artesanais e lã de ovelha negra, formam um relicário – o biombo de madeira sucupira desenhado por Etel Carmona.

O cruzamento entre cultura e religiosidade no projeto de Vergara pode ser identificado nas monotipias que evocam tanto a tradição artística islâmica como os signos cristãos que guiam os peregrinos de Compostela. Formas reconhecíveis no trabalho do artista (colunas, cálices) são reinterpretadas pelos artesãos da Etel nas cinco obras expostas na 13.ª SP-Arte.

A Firma Casa convidou os irmãos Campana e Claudia Moreira Salles para uma releitura do movimento concreto, o ápice da cultura visual do Brasil no século 20. Os irmãos Campana, inspirados na série Bichos, da artista neoconcreta mineira Lygia Clark (1920-1988), criaram a peça Kaleidos, de forma semelhante a um caleidoscópio. São seis lâminas de espelhos dourados articuladas, com base em latão que, retroiluminadas, funcionam como luminária. Já Claudia Moreira Salles projetou o (lindo) banco Concreto, cuja estrutura em madeira de catuaba é completada por blocos de concreto – a peça evoca o design funcionalista de matriz bauhausiana.

A Ovo, atuante no mercado há mais de duas décadas, apresenta na feira seis criações inéditas dos designers Luciana Martins e Gerson de Oliveira, entre elas a mesa Plano e a estante Ara. Um dos projetos mais conhecidos da dupla é o Campo Seating System, criado em 2007, módulos que já foram vistos e usados pelo público da Bienal de São Paulo.

Um olhar para ao passado e as origens do bom mobiliário contemporâneo levaram duas lojas, a Pé Palito e a Teo, a revisitar peças desenhadas por designers como Geraldo de Barros, Joaquim Tenreiro, Jorge Zalszupin e Zanine Caldas. A Pé Palito concentrou seus esforços nas linhas geométricas dos anos 1950 e 1960. A Teo recuou um pouco mais, começando pelo mobiliário dos anos 1940. E, para completar esse percurso histórico, a Artemobilia foi buscar os pioneiros do moderno design brasileiro, expondo os contrastes entre o racionalismo modernista dos anos 1920 e o biomorfismo dominante no segundo período do modernismo, a partir dos anos 1940.

Foi justamente nessa década que o arquiteto carioca Oscar Niemeyer (1907-2012) se tornou um profissional disputado, assinando projetos como a sede carioca do Banco Boavista, inaugurada em 1948. Ele também foi um excelente designer, como prova sua cadeira de balanço Rio (1977/78) reproduzida nesta página, que está na feira ao lado de outras peças de mobiliário desenhadas por ele, nos estandes da Etel e também da Teo.

No Rio também estudou a designer Jaqueline Terpins, que, em 1970, frequentava as aulas de Ivan Serpa no Museu de Arte Moderna. Artista participante de importantes exposições, como o Panorama de Arte Brasileira do MAM (1988), ela ficou conhecida pelo desenho de peças de cristal (como o vaso Membrana, de 2011, reproduzido nesta página). Mas Jaqueline também desenha peças de mobiliário, que vai mostrar na SP-Arte. Outro nome conhecido na área é o designer Hugo França, que leva para a feira 15 obras inéditas, entre elas a chaise Damanivá, feita com resíduo de um pequi vinagreiro milenar. Ao lado de modernos e contemporâneos estarão peças antigas do século 16 ao 18 na galeria Sandra & Márcio, entre elas arcas e oratórios de jacarandá.

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