Pausa na Política, De Olho no Magistério

Foi em 1892 que o recém-formado Euclides, extraviando-se um pouco de sua ardente preocupação de todos os dias com a política, resolveu criticar o projeto de criação de um Instituto Politécnico em São Paulo - onde essa escola, futuramente famosa, teria longa vida e se salientaria como uma das melhores instituições docentes do país. Como boa parte do currículo coincidia com o que estudara na Escola Militar, também votada à formação de engenheiros, percebe-se que se sentiu à vontade para expor sua crítica.São pormenores de currículo o que critica- entre outros, a ausência da Astronomia - mas o faz com tal veemência, que chega a qualificá-lo de "desastroso" por duas vezes. Talvez não tivesse maior interesse o artigo, publicado em duas partes, se não tivesse, agora sim, um peso desastroso no futuro de Euclides. Já há algum tempo cogitava em abandonar a farda, o que faria aos 30 anos, em 1896. Tornou-se, então, engenheiro civil, na qualidade de funcionário público da Superintendência de Obras do Estado de São Paulo, profissão que exerceria por vários anos. Foi por isso que lhe coube o encargo de reconstruir a ponte de São José do Rio Pardo, que uma enchente levara de roldão. Assim, ligaria para sempre sua pessoa e sua obra a essa cidade, onde até hoje se realiza anualmente a Semana Euclidiana, pois foi lá que escreveu Os Sertões, numa cabana à beira-rio, enquanto supervisionava os trabalhos de engenharia. A cabana está preservada como lugar de memória.O magistério foi uma opção que atraiu suas preferências: afora o Instituto, tentou sucessivamente a Escola Militar do Rio Grande do Sul, tanto quanto os ginásios de Campanha e de Campinas. Quando morreu, finalmente, era professor de Lógica no Colégio Pedro II, do Rio de Janeiro, cargo que ocupou apenas por poucos meses.Espírito irrequieto, desistiu do exército, reclamava da engenharia civil, interessou-se pelo magistério e aspirou a um cargo político. Tal percurso pode ser melhor acompanhado em sua correspondência, à qual, por ser confidencial, era mais inclinado a revelar o que pensava. Saiu-lhe cara a tentativa de intervenção nos destinos do Instituto: nunca conseguiu lá entrar, embora continuasse tentando durante doze anos, até 1904.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.