FELIPE RAU/ESTADÃO
FELIPE RAU/ESTADÃO

Patricia Piccinini exibe suas criaturas hiper-realistas no Brasil

Artista australiana cria cenas surreais com suas obras para questionar a estranheza

Camila Molina, O Estado de S. Paulo

11 Outubro 2015 | 10h00

“A evolução é uma história de extinções”, diz a artista Patricia Piccinini – e um passeio pelo Centro Cultural Banco do Brasil de São Paulo, onde estão abrigadas agora as 41 obras de sua mostra ComCiência, a ser inaugurada nesta segunda-feira, 12, nos faz indagar sobre o futuro.

Interessada na relação entre o natural e o artificial, a australiana cria algumas de suas esculturas hiper-realistas de silicone como se fossem seres híbridos originados de experimentações genéticas – suas Metafloras (2015), por exemplo, assemelham-se a flores de pele e pelos. “A genética é uma aposta no escuro e Patricia fala muito sobre uma ética flexível”, define Marcello Dantas, curador da exposição, primeira individual da criadora no País.

De fato, esse é um tema pungente levantado em ComCiência, que também será apresentada em Brasília e no Rio. Entretanto, é importante destacar que, principalmente, a artista questiona por meio de sua pesquisa a maneira como se dá o nosso confronto com a estranheza.

As peças escultóricas de Patricia Piccinini, que podem exigir até 18 meses de execução, têm, curiosamente, uma delicadeza, apesar do aspecto orgânico e de certas metamorfoses. As criaturas da australiana, realizadas em um estúdio em Melbourne que, abrigado em uma antiga fábrica, mais parece um “laboratório de efeitos especiais de cinema”, como conta Dantas, inspiram afeto mesmo que fiquem entre o humano, o animal e o surreal. “Crio situações nas quais o público é convidado a sentir empatia”, afirma a artista.

Logo no hall do CCBB, A Grande Mãe (2005) representa uma gorila que amamenta um bebê. Já em O Tão Esperado (2008), um menino e um estranho ser estão adormecidos. “Para que você durma com uma pessoa, você tem que realmente confiar nela”, comenta.

“A questão emocional é fundamental na minha obra, pois é através da emoção que nos engajamos em algo”, explica Patricia. “Hoje em dia é muito difícil chamar a atenção das pessoas”, diz a australiana sobre o conforto que sente com o caráter espetacular de suas obras. “Eu poderia fazer um trabalho entediante para provar quão intelectual eu sou, mas não é esse o meu objetivo. Quero me conectar com as pessoas. Sou inclusiva e o mundo da arte é o oposto.”

Desenhista por formação, a artista, que nasceu em 1965 em Serra Leoa, mas vive na Austrália desde 1972, executa suas obras com a ajuda de um time de profissionais. “Trabalho com iluminadores, maquiadores, pessoas da indústria do cinema que conseguem traduzir os meus desenhos, que nascem da minha imaginação, para formas tridimensionais”, destaca Patricia, que também cria – e exibe em ComCiência – fotografias e filmes.

O voo da baleia

Na segunda-feira, 12, às 16h30, o Skywhale de Patricia Piccinini, grande balão na forma de um híbrido de tartaruga com baleia, vai sobrevoar o Vale do Anhangabaú durante a abertura de ComCiência

PATRICIA PICCININI. CCBB-SP.Rua Álvares Penteado, 112, 3113-3651. 4ª a 2ª, 9 h/ 21 h. Grátis (visitação com agendamento). Até 4/1/2016. Abertura 12/10. 

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