Patrice Chéreau em palcos do Brasil

Assim como Dominique Blanc e Isabelle Huppert, ator e diretor francês participa da primavera de festivais - muitos e bons

Beth Néspoli, O Estadao de S.Paulo

22 de agosto de 2009 | 00h00

Muitos associam o nome de Patrice Chéreau ao cinema, pelo menos ao filme Rainha Margot. Mas quantos brasileiros já tiveram oportunidade de acompanhar as criações para palco desse ator e encenador francês de teatro e ópera? Artista engajado, dirigiu por oito anos o Théâtre des Amandiers, em Nanterre, periferia de Paris, onde vivem muitos argelinos, e foi o responsável pela projeção mundial de Bernard-Marie Koltès, de cuja peça Na Solidão dos Campos de Algodão ele realizou quatro montagens diferentes, como diretor e ator.Pois em setembro chéreau vem ao Brasil para participar do Porto Alegre em Cena, o festival internacional de teatro da capital gaúcha - evento que já trouxe ao País criadores como Pina Bausch, Peter Brook, Ariane Mnouchkine. Graças à parceria do Sesc, chéreau também estará na capital paulista. Vem com dois espetáculos: ele próprio é ator de O Grande Inquisidor, contundente e mobilizador texto sobre o perdão e as contradições do livre-arbítrio, do romance Os Irmãos Karamazov, de Dostoievski.chéreau traz ainda o solo La Douleur, por ele dirigido com a atriz Dominique Blanc, baseado em relato autobiográfico de Marguerite Duras, sobre sua espera pelo marido detido durante a ocupação nazista na França. A mesma parceria, Sesc-Paulo e Porto Alegre em Cena, traz para as duas cidades Quartett, peça de Heiner Müller dirigida por Bob Wilson com a atriz Isabelle Huppert, que já apresentou no Brasil o solo Psicose 4.48, da inglesa Sarah Kane.Setembro é tempo de outro festival internacional importante, o Cena Contemporânea, de Brasília. Que neste ano faz parceria com o CCBB de São Paulo ampliando assim a circulação de parte de sua programação (leia ao lado). Se para alguns pode soar ?colonizada? a celebração da vinda dos espetáculos ?importados?, vale ressaltar que essa valorização se deve à conhecida dificuldade do teatro de ?viajar?, se comparado ao cinema, problema intrínseco à sua natureza presencial e artesanal. Daí a importância da realização de festivais que fazem circular, não se pode esquecer, principalmente a boa produção nacional.E, sem dúvida, as mostras brasileiras vêm não só se multiplicando por todo o País, como aprimorando a qualidade curatorial. Cada vez mais festivais deixam o ranço amadorístico mudando o perfil da programação de apenas local para nacional. E ainda abandonam a premiação, comum nos festivais de cinema, porém ausente nos grandes festivais de teatro, que buscam nesses eventos o debate e o intercâmbio, não a competição.É evidente a transmutação do festival de Presidente Prudente que recentemente ganhou o apoio do Sesc. Além de reunir, em nove dias, 25 espetáculos de diferentes linguagens, entre eles criações da ala jovem do Grupo Tapa, como Mão na Luva, há ainda oficinas e debates. Ressalte-se que essas atividades formativas, comuns a todas essas mostras, são fundamentais para que, a médio prazo, elas ressoem na cena local. Algo que já pode ser detectado em Guaramiranga, no Ceará, que abriga um dos mais tradicionais festivais do Nordeste. Na edição deste setembro, a leitura cuidadosa do material de divulgação detecta a promessa de programação de excelência, que envolve nomes como João Denys, em Encruzilhada Hamlet, e espetáculos que sem eliminar raízes regionais avançam com estética universal.Também é possível notar um evidente salto de qualidade no Festival e o que beneficia não só a cidade de São José do Campos, onde se realiza, mas toda a região do Vale do Paraíba. Outro aspecto a não ser desprezado. Cada um desses eventos tem seu raio de ação ampliado pelo interesse de cidades vizinhas. É torcer para que se ampliem também os apoios.

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