Parthenon, a loja que não dava lucro

Os donos, José Mindlin e Cláudio Blum, gostavam de comprar e não de vender

Ubiratan Brasil, O Estadao de S.Paulo

29 de abril de 2009 | 00h00

As pesquisas de Ubiratan Machado revelaram histórias fascinantes, como a da livraria Parthenon, que abriu suas portas em São Paulo, em 1946. Seus proprietários eram bibliófilos conhecidos, José Mindlin e Cláudio Blum, que se aproveitaram dos baixos preços oferecidos na Europa do pós-guerra para montar um acervo inicial de cerca de 3 mil volumes.Instalada próxima da Avenida São Luís, no centro da cidade, a Parthenon exibia um refinamento até então desconhecido, com ar mais de biblioteca que de livraria. Em pouco tempo, portanto, tornou-se ponto de encontro dos amantes de obras raras."Logo a livraria se revelou um péssimo negócio, pois nossa grande alegria estava na compra de bons livros, e não na venda", contou Mindlin ao Estado, em 2003. "Assim, depois do grande prazer de abrir os pacotes, vinha a tristeza de ter de vendê-los." Como ele e Blum tinham uma obrigação moral em relação ao terceiro sócio, Jacques Bloch, que financiara a maior parte do empreendimento, não podiam deixar de vender as obras, mas cada livro que saía era motivo de frustração."Eu pedia então aos compradores que, na hipótese de um dia quererem dispor dos livros adquiridos na livraria, falassem comigo. Como resultado, nos 15 ou 20 anos seguintes, consegui recomprar boa parte das obras", disse Mindlin que, junto dos sócios, transferiu o negócio em 1951 para o então gerente da casa.

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