FABIO MOTTA/ESTADÃO
FABIO MOTTA/ESTADÃO

Parque Lage capta recursos para reforma

Cenário dos filmes 'Terra em Transe' e 'Macunaíma', lá foram realizadas importantes exposições de arte

Pedro Rocha, Especial para o Estado

28 de dezembro de 2018 | 03h00

Aos pés do Corcovado, no Rio, está o Parque Lage, antigo engenho de açúcar que foi tombado, em 1957, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Fundada em 1975 por Rubens Gerchman, a Escola de Artes Visuais (EAV) passou a ocupar a mansão existente no local, onde são realizados também exposições de arte, shows e peças de teatro. Nos últimos anos, se tornou um dos principais cartões postais e pontos turísticos da cidade.

Só este ano, com a exibição, cercada de polêmica, da mostra Queermuseu, o Parque Lage atraiu aproximadamente 40 mil visitantes. Para a exposição, o local precisou passar por obras de adequação, realizadas com fundos de doações diretas, obtidas pela internet. O Parque Lage, no entanto, ainda precisa de mais obras de restauro, tanto para receber eventos, quanto para melhorar o próprio funcionamento da EAV. 

Por isso, a administração do local enviou ao Ministério da Cultura um projeto executivo de restauro, que visa realizar obras no palacete principal, nas cavalariças e na área administrativa, além da instalação de sistema de refrigeração e da recuperação do paisagismo. O jardim do Parque Lage foi projetado em 1840, pelo paisagista inglês John Tyndale.

Antes de seguir para o MinC, o projeto teve parecer favorável em quatro órgãos, o Iphan, Instituto Estadual do Patrimônio Cultural do Rio, Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade e a Secretaria de Cultura do Rio. O valor total autorizado para ser captado e destinado às obras de reparo foi de R$ 42.624.603,40, que devem ser obtidos por meio da Lei Rouanet. De acordo com o diretor-presidente da Escola de Artes Visuais do Parque Lage, Fabio Szwarcwald, a captação deve começar a ser feita já nos primeiros meses de 2019 e ele espera que, em um ano, as obras devam ser iniciadas.

Estamos num momento de preparação para tocar um projeto tão importante", afirma Szwarcwald. “É um prédio centenário, palco de Terra em Transe, Macunaíma, performances e exposições históricas, e por onde passaram importantes artistas brasileiros.” Na opinião de Fábio, o maior legado das obras não será, diretamente, para os visitantes, mas para os alunos da EAV. “São os alunos e professores que vão desfrutar das melhorias todos os dias, com mais salas de aula e salas mais equipadas.”

Os espaços expositivos, como as cavalariças, também vão ser beneficiados com a reforma e serão remodeladas. “Vamos ter também um sistema mais moderno de luzes, controle de umidade e uma torre para acesso mais fácil ao último andar”, explica o diretor da EAV Parque Lage. 

Enquanto se dá o processo de captação de recursos, o Parque Lage continuará a funcionar normalmente. Para 2019, uma das exposições previstas é uma mostra com parte da coleção do Museu de Arte Naïf, que fechou as portas em 2016 no Rio. “A gente quer começar o ano resgatando toda a coleção do museu, mostrando a importância dos artistas e dessa produção, que precisa ser mais vista”, acredita Szwarcwald. Segundo o diretor, existe um desejo de que a EAV Parque Lage assuma a gestão do acervo do Museu de Arte Naïf no futuro.

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