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Paris presta tributo a Pablo Picasso e mostra seguidores

Grand Palais colocará lado a lado o artista espanhol e contemporâneos que dialogam como sua obra

Andrei Netto - Correspondente / Paris, O Estado de S. Paulo

26 de setembro de 2015 | 19h00

Não só em Nova York a genialidade de Pablo Picasso volta a ser lembrada em uma grande exposição de alcance internacional. Sete anos depois de quebrar recordes históricos de público com a megamostra Picasso et les Maîtres, o Grand Palais em Paris se prepara para abrir as portas de uma nova exposição sobre a obra do espanhol. A partir de 7 de outubro, o museu apresentará Picasso Mania, uma oportunidade de colocar lado a lado suas telas e de outros astros da pintura moderna e contemporânea, como David Hockney, Jasper Johns, Roy Lichtenstein, Andy Warhol ou Basquiat.

A bem da verdade, o mote da exposição elaborada por Didier Ottinger, diretor adjunto do Museu Nacional de Arte Moderna do Centro Pompidou, de Paris, lembra a de Picasso et les Maîtres: estabelecer as relações de influência entre grandes nomes da pintura do século 20. O que muda em Picasso Mania é o papel de cada um. Enquanto há sete anos o centro de atenção estava em como o pintor havia se inspirado, relido e representado os artistas que mais admirava, agora é a vez de Picasso ser o centro irradiador da mostra, que estuda a extensão de sua influência na crítica e nos meios artísticos para compreender como se deu a construção de seu mito como gênio da pintura.

Picasso Mania lembra que, após a 2.ª Guerra Mundial, o mestre espanhol se transformou aos olhos da crítica em um pintor moderno – e logo aprisionado em um estilo específico. Só no início dos anos 1970, quando chegou aos 1990 anos, teve início seu reconhecimento como uma referência incontornável na história da pintura, atemporal e, logo, acima dos limites impostos pelo enquadramento na escola moderna.

Nos anos que se seguiram, em especial na década de 1980, seu caráter visionário começou a ser destacado em mostras, estudos acadêmicos e testemunhos de outros artistas. Então, no momento em que seu talento e seus conceitos passaram a se tornar inquestionáveis, começou o culto, que resultou enfim na criação de um mito: Pablo Picasso passou a ser reconhecido como gênio.

A nota paradoxal é que a exposição tira seu nome de uma entrevista concedida pelo pintor em 1959, na qual uma de suas respostas deixa claro o quanto sua genialidade era, na realidade, fruto de uma pulsão prosaica. Questionado se pretendia continuar a pintar por longo tempo e por que, ele não rebusca sua resposta, nem aponta razões messiânicas ou grandiloquentes para justificar a decisão de seguir trabalhando. Picasso responde apenas: “Sim, porque para mim é uma mania”. O gênio, na realidade, nunca passou de um ser humano.


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