Para sempre, YSL

No dia 1º, a moda perdeu Yves Henri Donat Mathieu Saint Laurent, um dos grandes criadores do século 20, vítima de câncer no cérebro. Talento precoce, Saint Laurent saiu de Oran, na Argélia, com apenas 17 anos para se instalar em Paris em busca de um lugar ao sol na moda. Entediado com as aulas, logo desistiu do curso na Chambre Syndicale, mas o destino lhe ofereceu a vaga de assistente de Christian Dior, o nome que havia abalado as medidas da moda quando lançou o New Look em 1947, provocando a ira de Coco Chanel. Chanel, por sua vez, nunca admitiu que havia alguém à sua altura no panteão fashion, mas acabou identificando algo em YSL que o tornava candidato natural à sua sucessão na moda. Afinal, Chanel já havia liberado a mulher para usar peças do guarda-roupa masculino. Mas foi YSL que a liberou em 1966 para usar o smoking, criando uma imagem feminina, sensual e glamourosa. Nessa época, ele já havia fundado a própria marca, com o eterno parceiro Pierre Bergé, que o apoiou até o fim e com quem abriu a Fundação Saint Laurent-Bergé em Paris, onde estão arquivadas todas as suas criações em 40 anos de carreira, desde o croqui até o modelo em si. Ainda jovem, YSL sofreu a primeira crise de estresse. Bergé e amigos, como Catherine Deneuve e as musas Loulou de la Falaise e Betty Catroux, sempre o protegeram da exposição na mídia. Mas sua fragilidade emocional não impediu ousadias como a foto desta página: um retrato nu feito em 1971 por Jeanloup Sieff. Durante o funeral, soube-se que, dias antes, Pierre e Yves haviam se casado em união civil.

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