Para a lua-de-mel de Macalé com o século 21

''Sem idéia ou conceito, só o prazer de cantar'', assim compositor e cantor define Macao, que inclui duas inéditas e resgata canções suas dos anos 70 em diante

Roberta Pennafort, O Estadao de S.Paulo

24 de julho de 2008 | 00h00

O século 21 está sendo bem produtivo para Jards Macalé. Sua carreira fonográfica se resume a 11 discos, sendo quatro desde 2002, quando lançou O Q Faço É Música. Trinta e cinco anos depois do primeiro, Jards Macalé, chega Macao, ''que não tem idéia, conceito; é só o prazer de cantar cada música''. No repertório, músicas suas dos anos 70 em diante, duas inéditas e canções de outros. Ouça trecho das faixas Corcovado e Ne Me Quitte PasPara começar, Farinha do Desprezo, que abriu também Jards Macalé. Boneca Semiótica, de Aprender a Nadar (1975), foi resgatada pelo grupo Laptop&Violão, que participou da gravação. Engenho de Dentro, parceria com Abel Silva dos anos 80, estava esquecida. Já Se Você Quiser, com Xico Chaves, é mais recente. Algumas homenagens: Um Favor, a Lupicínio, Ronda, a São Paulo, Corcovado (Tom Jobim), aos 50 anos da bossa nova.''Eu procurei no YouTube, meu atual dicionário, a imagem do João Gilberto tocando violão. Fiquei pegando a harmonia que ele fez. Queria a dele porque é a original. Não se está falando tanto dessa tal de bossa nova por aí?'', indaga Macalé, cujo projeto inicial era um disco de voz e violão.Cristovão Bastos, que já havia produzido O Q Faço É Música, Amor, Ordem e Progresso (2003) e Real Grandeza (2005), entrou na jogada e trouxe com ele não só seu piano, mas flauta, baixo e bateria. No fim das contas, quatro faixas ficaram do jeito que Macalé imaginara - caso de Só Assumo Só, de Luiz Melodia, além de Farinha do Desprezo, Um Favor e Corcovado.Sacando o francês que aprendeu no colégio (Mallet Soares, o mesmo dos bossa-novistas Carlos Lyra, Luis Carlos Vinhas e Roberto Menescal), e tendo como referência as gravações de Maysa e Nina Simone, ele interpreta Ne Me Quitte Pas (de Jacques Brel).Para Macao (mais um apelido), Macalé resgatou ainda sua The Archaic Lonely Star Blues (com Duda) - escrita em português e inglês e gravada por Gal Costa em Legal, disco de 1970 do qual foi o diretor artístico - e Balada, feita em parceria com Ana de Hollanda. O resultado é um CD enxuto, sem uma temática, mas cheio de história. ''Fui pinçando as músicas ao meu bel prazer. Gostei muito do século 20 e estou gostando mais ainda do século 21.''

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