Paquito D?Rivera diz que abertura cubana é farsa

Músico, que nasceu em Havana e ganhou 9 prêmios Grammys, prega que não se negocia com ditaduras

, O Estadao de S.Paulo

19 de agosto de 2009 | 00h00

O clarinetista, saxofonista e compositor Paquito D?Rivera já ganhou 9 Grammys ao longo da carreira. Fugitivo da ditadura cubana, chegou aos Estados Unidos em 1980, e integrou-se de forma simbiótica ao jazz americano, conferindo-lhe seu acento latino. Também tem grande ligação com a música brasileira - na semana passada, em New Jersey, fez um show ao lado de Leny Andrade, César Camargo Mariano, Romero Lubambo e Rosa Passos. Após quatro anos, Paquito toca hoje na cidade, às 21 h, na Sala São Paulo, em um evento beneficente (toda a renda da bilheteria vai reverter para a Tucca, Associação para Crianças e Adolescentes com Câncer). Toca com os 14 integrantes da Banda Mantiqueira, liderado por Nailor Proveta."Minha mulher, Brenda Feliciano, é uma sobrevivente do câncer. É uma grande soprano. Eu me tornei muito próximo do problema, e luto para amenizar seus efeitos", disse ontem por telefone ao Estado, de seu quarto num hotel na região da Avenida Paulista. Há um mês, Paquito, de 60 anos, tocou na Casa Branca para o casal Obama, convidado por Wynton Marsalis. Apesar da honraria, não aliviou as críticas à política de relações exteriores de Obama com Cuba."Não acredito na abertura cubana. Acho que é um erro negociar com uma ditadura. Há centenas de pessoas nas cadeias, foram 50 anos de direitos violados. Não se deve ser simpático com uma ditadura. Isso inclui o governo brasileiro, que é muito amigo daquele regime. Você viu a história recente de um cubano chamado Panfilo? Procure no YouTube. Um alcoólatra que entrou na frente de uma câmera, bêbado, para se queixar de que os cubanos estavam com fome. Bom, ele foi condenado a 2 anos de cadeia só por dizer ao mundo que os cubanos têm fome", lamentou."Vou completar 30 anos nos Estados Unidos no ano que vem. Do que eu tenho saudade? Tenho saudade da minha infância. Eles destruíram a bela cidade de Havana. O que é essa abertura? Nós podemos mandar dinheiro para eles, mas não podemos dar uma opinião sobre o regime. Se o fizermos, vamos parar na cadeia como o Panfilo. Fico frustrado porque vejo estrangeiros, incluindo muitos artistas brasileiros, celebrando aquela ditadura. É o mesmo equívoco dos que celebraram Stalin, enquanto milhões eram assassinados."O vídeo do homem protestando contra a fome em Cuba a que Paquito D?Rivera se refere está no Youtube (http://www.youtube.com/watch?v=DOu5gGVVAAQ)Paquito diz que aprecia os prêmios todos que ganha no mundo da música, mas aprecia mais a chance de ter dividido o palco com gente como Dizzy Gillespie, Cachao, Bebo Valdés, Leny Andrade, Rosa Passos.Ele adiantou ao Estado que, entre as músicas que tocará esta noite, está uma de suas preferidas, o choro Segura Ele, composição dos anos 1940 de Pixinguinha. Disse que ouviu do produtor suíço Jacques Muyral a respeito do disco de Dizzy Gillespie com o Trio Mocotó, e revela: "Como Dizzy, meu grande sonho é um dia gravar um disco aqui no Brasil, só com músicos brasileiros." ServiçoPaquito D?Rivera e Banda Mantiqueira. Sala São Paulo (1.340 lug.). Praça Júlio Prestes, s/n.º, Luz, 3223-3966. Hoje, 21 h. R$ 50 a R$ 120

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