Papel e gesso nas cabeças da artista Odette Eid

Escultora expõe nova série com mais de 30 peças lúdicas e delicadas, a partir de amanhã, na Estação

Camila Molina, O Estadao de S.Paulo

10 de junho de 2008 | 00h00

A artista Odette Eid tem sua trajetória firmada no trabalho escultórico em bronze, mas na exposição Minhas Cabeças, que ela vai inaugurar amanhã na Galeria Estação, a escultora apresenta um conjunto de mais de 30 trabalhos feitos a partir de papel e gesso. São, como já remete o título da mostra, um grupo de cabeças femininas esculpidas por Odette, que nasceu no Líbano em 1922, chegou ao Brasil em 1925, e hoje está com 86 anos. As obras têm um caráter lúdico e ao mesmo tempo delicado na maneira de tratar a figura feminina tal como se elas fossem bonecos da tradição popular. É importante, nesse sentido, não apenas se deter às feições diversas que as cabeças carregam, mas também prestar atenção nos cuidadosos adornos (alguns pessoais) que a artista dedica a cada uma de suas obras, feitos a partir de variados materiais - cordões, lãs, botões, tranças, brincos, etc. É interessante, também, destacar o fator pictórico presente nas esculturas, que têm as faces - olhos, bocas e sobrancelhas -, pintados pela artista.A exposição é acompanhada do lançamento de livro sobre a série, publicação em capa dura que conta com cuidadoso material fotográfico e ainda traz textos da curadora e pesquisadora de arte popular Janete Costa, do escritor, jornalista e editorialista do Jornal da Tarde José Nêumanne, do diretor da Pinacoteca do Estado, Marcelo Araujo, do marchand Paulo Vasconcellos, do arquiteto, designer e diretor do Instituto Tomie Ohtake, Ricardo Ohtake, e um poema do artista Antonio Hélio Cabral. Em todos esses escritos está a reverência carinhosa ao trabalho de Odette - a renda obtida com a venda do livro será destinada ao Hospital Sírio Libanês.Segundo Janete Costa, não é novidade na carreira de Odette o fato de ela ter se munido de um material diferente do bronze para fazer suas criações nem tampouco usar como tema as cabeças. A curadora afirma que antes, apenas, as cabeças ''formavam parte de conjuntos díspares, em convívio desigual''. Agora, na atual série, as cabeças têm autonomia e se tornam ''levíssimas peças escultóricas que lembrariam talvez Picasso, na assimetria e distorção de suas formas, se não apresentassem outras características a nos lembrar, também, de modo indiciário, vagas máscaras burlescas de um teatro de mamulengo ou de um cavalo-marinho''. Já como escreve Nêumanne, as cabeças de Odette fazem lembrar as ''bruxinhas de pano das feiras livres aos domingos'' de Uiraúna, no sertão paraibano, onde ele nasceu. ''Parece que elas existem somente para nos lembrar que somos parcos, pequenos, poeira de estrelas'', afirma o escritor. As cabeças de Odette podem, então, remeter a idéias diversas.Serviço Odette Eid. Galeria Estação. Rua Ferreira de Araújo, 625,telefone 3813-7253. 2.ª a 6.ª,11 h/19 h (sáb. até 15h). Até 18/8. Abertura amanhã, 19 h, para convidados

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