Tiago Queiroz
Tiago Queiroz

Papéis do cotidiano inspiram mostra no Sesc Ipiranga

Parceria leva acervo iconográfico do Museu Paulista, com itens do século XIX aos dias atuais, ao Sesc

Pedro Rocha, Especial para O Estado

09 Maio 2018 | 06h00

Uma embalagem que você pode ter jogado fora anos atrás é, agora, uma das várias atrações de uma nova exposição no Sesc Ipiranga, que busca explorar a efemeridade do dia a dia. A mostra Papéis Efêmeros: Memórias Gráficas do Cotidiano, que abre nesta quarta-feira, 9, na unidade, é uma parceria com o Museu Paulista, da Universidade de São Paulo, que cedeu peças de seu acervo iconográfico, retirado do Museu do Ipiranga para a reforma do prédio. 

São rótulos de refrigerantes, papéis de bala, santinhos, livros de receita e outros artigos gráficos que compreendem um período de 1890 aos dias atuais – até mesmo catálogos de moda da extinta loja Mappin, na Praça Ramos de Azevedo, dos anos 1920 poderão ser folheados digitalmente. “O museu tem a linha de trabalhar a conservação patrimonial a partir do cotidiano”, explica a diretora do Museu Paulista, Solange Ferraz de Lima, que assina a curadoria junto ao designer Chico Homem de Melo. “Trabalhamos para despertar a percepção das pessoas de que o que elas têm em casa é importante.”

Foi por esse objetivo, já antigo, do museu que, por meio de uma reportagem de TV sobre o assunto, em 2003, o colecionador Egydio Colombo (1955-2013) resolveu doar ao museu seu acervo, com mais de 5 mil itens. Sua coleção foi o principal motor para esta nova exposição, que soma 500 artigos de várias coleções, incluindo de outras famílias, que podem doar artigos ao museu. Dividida em três diferentes núcleos, a mostra explora os aspectos culturais, educativos e de consumo no Brasil em mais de 100 anos. Uma seção especial contextualiza com o internacional, a partir de obras como um cartaz feito por Andy Warhol para o Festival de Cinema de Nova York em 1967. 

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Os organizadores trabalharam ainda com dois temas transversais, que se relacionam com as técnicas de impressão e design, como a litografia e a tipografia. Algumas das peças em exposição, vindas de coleções de famílias, como cartões de Natal ou santinhos, podem estar indo à público pela primeira vez. “São efêmeros que passaram nas mãos de muitas pessoas antes de chegar ao museu e que depois de foram tratadas e higienizadas”, explica Simone. “Lá, ganham uma ficha catalográfica.” Apesar de contabilizar em metros o acervo iconográfico do museu, ela acredita que o número final seja em torno de 300 mil peças. 

“O museu é um tesouro a ser descoberto”, opina Chico, que ficou responsável pelo trabalho de “garimpar” o que iria para a mostra. “Foram meses de trabalho.” Designer, Chico se viu surpreendido pela quantidade de referências à prática do desenho nos arquivos de educação, que incluem cartilhas, jogos, álbuns de figurinhas e materiais para os rabiscos infantis. “É impressionante como havia um incentivo muito maior à práticas de desenho do que se tem hoje.”

O curador atenta ainda para técnicas presentes na seção de consumo, em espaços limitados nas caixas de fósforo ou papéis de bala. “Tem a ver com a atual publicidade das mídias digitais, feita em espaços pequenos.” Alguns detalhes foram selecionados por ele para serem ampliados para a decoração da exposição. “São abstrações geométricas, com grande diversidade. Coisas que você joga fora, mas que quando vê aqui é legal.”

Museu do Ipiranga firma parcerias até sua reabertura

A parceria do Museu Paulista com o Serviço Social do Comércio deve acontecer em outras ocasiões até, pelo menos, 2022, quando o edifício do Museu do Ipiranga, no Parque da Independência, fechado desde 2013, deve reabrir ao público. “Pretendemos continuar com esses recortes do acervo, com curadores convidados”, afirma a diretora do museu, Solange Ferraz, que é otimista quanto à reabertura para a comemoração do bicentenário da Independência. 

Atualmente, o projeto de reforma do prédio está sendo discutido com os arquitetos. As obras devem começar no ano que vem. Nas próximas semanas, a desocupação do prédio deve ser totalmente concluída, com a transferência do último lote de objetos, que incluem mais de mil peças, como carruagens e carros. “Estamos com o projeto na Lei Rouanet, tudo vai depender do aporte e da colaboração da sociedade.”

A documentação textual e a biblioteca do Museu do Ipiranga já deixaram o edifício, e agora se dividem em três prédios localizados nas proximidades do parque. 



 

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