Pancho Villa, por aqueles que o conheceram

Diretor Francesco Taboada Tabone revive a figura mítica do guerrilheiro

O Estadao de S.Paulo

31 Outubro 2007 | 00h00

A história é o que fica na memória dos homens. Partindo desse princípio, o diretor Francesco Taboada Tabone procura reconstruir o que restou da figura de um dos líderes da Revolução Mexicana. Em Pancho Villa, a Revolução Não Acabou, Tabone procura ouvir pessoas que conviveram com o revolucionário. Testemunhas idosas, já que a revolução aconteceu entre a primeira e a segunda década do século passado. Para essas figuras, Pancho Villa era um herói, um Robin Hood mexicano. Alguém que, junto com Emiliano Zapata, poderia ter feito do México um país diferente do que é. Não interessa ao cineasta trabalhar com a ''''verdade oficial''''. Por isso não há a presença de especialistas, quase obrigatória em documentários desse gênero. Em seu formato mais convencional, os filmes documentais históricos ouvem o povo, ou possíveis protagonistas dos fatos. Depois colocam em cena um historiador, um antropólogo, um estudioso qualquer, uma figura da autoridade, que dará ao espectador o discurso ''''correto'''' sobre os fatos. Aqui, a ''''verdade'''' se dilui nas versões. Há tantos Pancho Villa quanto as pessoas sobreviventes e que conviveram com ele, como seu motorista, ou uma das inúmeras mulheres com quem ele se relaciona e tinha filhos México afora. Tudo são nuvens, a começar pelo nome. De batismo, ele nasceu José Doroteo Arango. Pancho Villa era nome de um bandoleiro, que ele acabou adotando depois de tornar-se ele próprio um foragido ao matar um fazendeiro, segundo dizem. E os velhinhos têm muito a dizer. Podem não dispor de grandes teorias, mas relembram muito bem de como o fazendeiro no México daquela época era uma espécie de senhor feudal, com poder de vida e de morte sobre os camponeses que trabalhavam em sua terra. Daí o fascínio da figura lendária de alguém, vindo do próprio meio popular, que conseguia aterrorizar aquelas figuras de poder. Existem poucas imagens de Pancho Villa, mas as disponíveis são bastante significativas. Muitas fotos, ao lado de Zapata, dos tempos da revolução. Alguns imagens em movimento do tempo em que Villa se transforma, ele próprio em proprietário de terras, antes de ser assassinado em 1923, segundo consta a mando do presidente Obregon, então no poder. Villa não conseguiu transformar em realidade a sua revolução. Permanece no imaginário popular. Serviço Reserva Cultural 1: Hoje, às 17 h. Cotação: Bom

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.