Pais, ela é mais do que uma babá eletrônica

Bia Rosenberg lança hoje seu livro que discute a relação entre crianças e a TV

Francisco Quinteiro Pires, O Estadao de S.Paulo

29 de julho de 2008 | 00h00

A moral das histórias de A TV Que Seu Filho Vê - Como Usar a Televisão no Desenvolvimento da Criança (Panda Books, 184 págs., R$ 29,90) , de Bia Rosenberg, pode ser resumida na seguinte expressão popular: filho de peixe, peixinho é. O comportamento dos pais é mais importante até do que aquilo que falam para os filhos. Bia alerta: se um pai não deseja que o filho fique mais de 4 horas por dia diante da televisão, ele precisa dar o exemplo.Com lançamento previsto para hoje, às 19h30, na Saraiva do Shopping Paulista, o livro de Bia reúne série de pesquisas nacionais e internacionais sobre os hábitos dos telespectadores, sobretudo os mirins, além da experiência da autora de mais de 20 anos como supervisora de programas infantis para a TV Cultura. A maioria dos mais de 3 mil textos consultados por ela para fazer o livro pertence a bibliografia estrangeira.Quatro programas do Prix Jeunesse, um dos mais importantes festivais internacionais de televisão para crianças e jovens, realizado em Munique, Alemanha, a cada dois anos, serão exibidos antes dos autógrafos.''Quando o assunto é televisão, os pais se dividem entre desligados e estressados'', diz Bia Rosenberg, criadora dos programas Castelo Rá-Tim-Bum, Cocoricó, X-Tudo e Glub-Glub na TV Cultura. Ela diz que é comum encontrar ou adultos muito preocupados com a relação dos filhos com a TV, mas totalmente desorientados, ou adultos indiferentes a essa relação. Para a autora de A TV Que Seu Filho Vê, há pouca reflexão sobre o assunto. Os preconceitos em torno da televisão permanecem, como se ela não fosse ferramenta fundamental para contribuir na educação infantil, mas um monstro eletrônico deformador de caráter, além de imbecilizar. Ela não é inimiga, é aliada, enfatiza Bia Rosenberg.O primeiro passo é o diálogo, por meio do qual o adulto pode estimular o espírito crítico na garotada. ''Afinal, a tevê não é boa nem ruim, o desafio é usá-la a nosso favor e em benefício dos nossos filhos'', diz. Não é possível, lembra a autora, ignorar o avanço dos meios de comunicação de massa e a sua influência no âmbito familiar. Essa inevitável presença, em vez de substituir, deve estimular as conversas entre os familiares.O pais não precisam se render à programação nem censurar tudo o que se passa na telinha, ainda que a intenção seja poupar os filhos do sensacionalismo, das propagandas e da violência. ''Proibição é sempre uma contradição, ela só vai aguçar a curiosidade'', afirma Bia Rosenberg. Em vez de proibir, melhor é evitar certos programas e oferecer alternativas às crianças. Pode ser mais prejudicial, por exemplo, impedir que a criança veja programas que os colegas vêem, estimulando sua exclusão do grupo.Bia Rosenberg compara o bom uso da televisão a uma dieta balanceada. Os alimentos saudáveis, em quantidades adequadas, melhoram o bem-estar do indivíduo. ''Por isso, os pais têm de selecionar a programação e, ao mesmo tempo, orientar a criança'', afirma. Os adultos precisam dar atenção ao que é veiculado e, na mesma hora, explicar que valores e interesses estão por trás dos programas e das propagandas. A criança tem de conquistar e exercer, com o tempo, autonomia em relação ao uso da TV, que não pode ser mais considerada mera babá eletrônica.Segundo pesquisa do Ibope de 2005, o tempo em que as crianças de 4 a 11 anos assistem à televisão no Brasil é de 4,5 horas por dia. Nesse caso, um adolescente de 17 anos terá passado 4 anos diante da TV. Bia Rosenberg diz, no entanto, que a quantidade de horas nos últimos anos se manteve estável.O que mudou é o hábito na hora de assistir: as crianças fazem várias atividades simultâneas, como mexer no computador e falar ao telefone. Essa mudança de comportamento estimulou os canais a produzirem programas menos lineares, com o ritmo mais alucinado, para chamar e manter a atenção do público infantil.Outro fenômeno citado pela autora é a criação de ''plataformas múltiplas''. Um programa é criado pelo canal de TV junto com outros produtos, como brinquedos, games, filmes, CDs, etc. No livro, Bia lista o que a legislação - restritiva - de outros países prevê para a veiculação de propagandas. Ao lado do consumismo, os noticiários, sobretudo os de fim de tarde, mais sensacionalistas, são os grandes merecedores de crítica. O cuidado redobra com as crianças em idade pré-escolar, que, segundo Bia, não têm condições de discernir o impacto das informações dos noticiários.TrechoÉ difícil resistir. (...) O tempo passa e ficamos grudados vendo o que queremos e o que não queremos. Mas, se chegou o momento de mudar esta atitude passiva por uma ativa. (...) O segredo é manter um distanciamento crítico para poder saber o que realmente está sendo exibido. E como isto é possível? Procurando decifrar os subtextos escondidos pela telinha. Identificar os truques, encontrar as mensagens e saber o que motiva o meio é a melhor maneira de exercer o conhecido ditado: ''Saber é poder.''Serviço A TV que seu Filho Vê. De Bia Rosenberg. 184 pág. R$ 29,90. Panda Books. Saraiva MegaStore - Shopping Pátio Pau

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