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Ben Patterson faz performance em SP

Norte-americano, lenda da arte contemporânea, volta à cidade

Antonio Gonçalves Filho, O Estado de S. Paulo

29 Outubro 2015 | 04h00

Ben Patterson é uma lenda da arte contemporânea. Um dos pioneiros e cofundador do movimento internacional conhecido como Fluxus, que revelou, nos anos 1960, artistas como Nam June Paik, Yoko Ono, George Maciunas, Dick Higgins e George Brecht, Patterson está em São Paulo e participa de uma série de performances no sábado, dentro da exposição Jogando com Ben Patterson, na Galeria Bolsa de Arte, na Vila Madalena. Contrabaixista de formação clássica, nascido em Pittsburgh há 81 anos, o artista norte-americano participa de três das oito performances programadas, entre elas duas concebidas por ele, Clean Slate e Rainbow Number 1, e uma da compositora japonesa Mieko Shomi, Disappearing Music, marcada pela influência de John Cage e George Brecht.

A mostra na Galeria Bolsa de Arte conta com obras de Ben Patterson criadas em várias épocas e de artistas brasileiros que, a exemplo de Guto Lacaz, foram marcados pela experiência do Fluxus, movimento caracterizado pelo experimentalismo, o humor e a subversão. Além de Lacaz, os outros brasileiros são: Cristina Barroso, Paulo Bruscky, Francisco Klinger Carvalho e Dudi Maia Rosa.

Patterson recebeu o Caderno 2 ao lado da curadora da mostra, a alemã Karin Stempel. Ligado afetivamente à cultura alemã, que primeiro reconheceu seu talento, o artista vive hoje em Wiesbaden, onde ajudou George Maciunas a organizar, em 1962, o histórico Fluxus Festival, origem do movimento. Como sugere o título, ele indica um fluxo ininterrupto de projetos artísticos que unem artistas de todo o mundo e desafia a arte institucionalizada com propostas ousadas de trânsito entre diferentes áreas (literatura, música, teatro, performance, instalação visual).

Embora tenha sido usado como veículo de protestos políticos ou manifestações ideológicas – até mesmo por ter nascido nos conturbados anos 1960 – o Fluxus, afirma Patterson, não foi criado com esse objetivo. “Jamais criei ou criaria um manifesto”, diz ele. “Não acredito neles”, conclui. Apesar disso, sua performance mais repetida (e pela qual ele gostaria de ser lembrado), pode ser interpretada como obra de um ativista. Chama-se Paper Piece (1961) e foi uma das primeiras a envolver o público. Dois performers propõem um jogo interativo com o espectador passivo, ao sair do palco com um rolo de papel que, rasgado e amassado, é atirado na plateia. Outra performance da época, Piano Activities (1962), é, até hoje, o exemplo mais radical do Fluxus embrionário: nela, um piano é destruído a machadadas com a ajuda de serrotes e martelos.

O paradoxo é que Patterson, ex-músico sinfônico, faz performances ao som de clássicos (Bizet, Puccini, Wagner). “Realizo a fantasia de uma criança, de destruir o que a desafia, mas sem intenção iconoclasta de desrespeitar a obra desses compositores”, diz Patterson. “Diria que faço uma espécie de Reader’s Digest da música, ao usar fragmentos de óperas conhecidas que, de tão familiares, precisam ser ouvidas de maneira diferente”. A curadora Karin Stempel define essa proposta de “jogo”, palavra que, em inglês, tem duplo sentido (também de brincar). “O Fluxus é isso, um jogo entre artistas com abertura para o público”.

Patterson, que veio ao Brasil pela primeira vez em 1983, para participar da Bienal de São Paulo, usa partituras em suas performances – presenteou Guto Lacaz com Pond (1962), peça assumidamente inspirada em John Cage, que associa a cacofonia dos performers a saltos de rãs de brinquedo, tudo dentro de um sistema aleatório. Como Cage, ele acredita que o acaso é o melhor amigo do Fluxus.

JOGANDO COM BEN PATTERSON

Galeria Bolsa de Arte. Rua Mourato Coelho, 790, tel. 3812-7137. 2ª. a 6ª, 10h/19h; sáb., 11h/17h. Performances: quinta, 29, a partir das 19h; sábado, 31, partir das 12h.

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