Outras praias sonoras

Juçara Marçal abre caminho com DinucciComo Fabiana Cozza, a cantora Juçara Marçal tem na voz uma força e uma beleza assombrosas, provenientes de seu vínculo com entidades afro-brasileiras do candomblé. Integrante do grupo expedicionário A Barca, ela abre caminho para uma promissora carreira-solo com o excelente Padê (Cooperativa de Música), ao lado do violonista Kiko Dinucci. Na parte inicial, reverberam os atabaques de concepção rítmica artesanal em harmonia com as cordas refinadas de Dinucci (autor da maioria das faixas inéditas) e do piano de Lincoln Antônio. Na segunda metade, sem tambores, Juçara alterna o bom humor de Paulo Padilha (Samba Estranho) e Luiz Tatit (Velha Morena) com a melancolia de Batatinha (Imitação da Vida) e uma feliz homenagem a Ney Mesquita (Batuque Para Ney, de Lincoln e Walter Garcia). É vibração cheia de graça. O suingue arrasador de Jam da SilvaO nome do músico já é uma sugestão sonora: Jam da Silva. Engloba uma série de significados de sua inventividade, que se traduz pela mistura de ritmos e texturas sem limite geográfico com a mais básica referência de brasilidade. No CD Dia Santo (304 Estúdio), co-produzido por ele com Chico Neves, o compositor e percussionista pernambucano combina instrumentação convencional com programação eletrônica e percussão corporal numa seqüência de 11 pedradas, alternando batuque de candomblé, samba, dub e outras cadências. O approach com o DJ Dolores vai além da participação da cantora Isaar na faixa-título. Os três já se cruzaram na Orchestra Santa Massa. O também pernambucano Junio Barreto põe voz em O Pedido (dele e Jam), já gravada por Roberta Sá. Como nas demais faixas, é de um suingue arrasador. Izabel Padovani cria mosaico da nova cançãoRadicada durante quase uma década na Áustria, Izabel Padovani voltou definitivamente ao Brasil depois de vencer o extinto Prêmio Visa em 2005. Em seu novo e desafiador trabalho, Mosaico (Gravina Música), a cantora aplica sua sofisticada técnica para dar voz a um encorpado elenco de compositores contemporâneos: Luis Felipe Gama, Kiko Dinucci, André Mehmari, Eduardo Klébis, Zé Paulo Becker, Fred Martins, Arthur Nestrovski, Eucanaã Ferraz. Também recorre a outros de caráter inovador, só que com mais tempo de estrada: Vitor Ramil, Dante Ozzetti, Luiz Tatit, Arrigo Barnabé, Zé Miguel Wisnik, Guinga e Simone Guimarães. São canções intrincadas, em ritmo de choro, samba, milonga, valsa, que Izabel domina com instrumentação mínima, mas variante a cada faixa. O violeiro Paulo Freire e o pianista Rafael dos Santos são seus convidados.

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