Oswaldo Goeldi, gravador da solidão para o grande público

Mostra aberta hoje na Caixa Cultural da Paulista apresenta conjunto amplo de obras e objetos pessoais do mestre carioca

Camila Molina, O Estadao de S.Paulo

15 de agosto de 2009 | 00h00

Mestre maior da gravura, Oswaldo Goeldi (1895-1961) precisa chegar ao grande público. Por isso, é oportuno que a galeria da Caixa Cultural no Conjunto Nacional da Avenida Paulista, lugar de grande passagem, abrigue, a partir de hoje, uma ampla mostra do artista. Goeldi - Luz Noturna apresenta uma seleção de 60 de suas obras, como as densas xilogravuras - de figuras solitárias que caminham imersas em ambientes tomados pelo negro -, nanquins e ilustrações para livros (entre eles, raridades de edições de Dostoievski); uma série de objetos pessoais e fotografias que falam um pouco do artista (são poucas imagens, do arquivo de sua família, porque ele não gostava de se deixar fotografar); e um vídeo com depoimentos de outros importantes gravadores que falam de um mestre: entre os participantes, Adir Botelho, Anna Letycia, Darel Valença Lins e Rubem Grillo."A obra de Goeldi é consagrada e está em diversos museus do mundo e coleções particulares, mas nem sempre exposta ao público", diz Lani Goeldi, sobrinha-neta do artista e diretora do Instituto Oswaldo Goeldi (www.oswaldogoeldi.org.br), entidade sem fins lucrativos, sediada em Taubaté e cujas atividades tiveram início no ano 2000 - as principais delas, divulgação e catalogação (até agora, de cerca de 2 mil criações) da produção do gravador. "Nossa política como instituição é fazer com que se entenda que é necessário tirar Goeldi da gaveta", afirma ainda Lani, curadora da exposição, referindo-se ao fato de as gravuras do artista ficarem, muitas vezes, nas mapotecas dos museus ou mesmo nem expostas nas casas dos colecionadores.Como parte dessa ação de divulgação da produção do artista, é curioso que se faça, até mesmo, uma espécie de estratégia inversa ao que se espera: por exemplo, nessa atual exposição, 11 obras integram conjunto de 50 gravuras doadas ao Projeto Goeldi pelo Museu Nacional de Belas Artes do Rio. "O museu queria fazer um livro sobre ele e doou as obras ao instituto para a gente expor e divulgar", diz Lani. A mostra na Caixa Cultural ainda conta com obras da coleção do marchand Maurício Buck e do Instituto Goeldi.A exposição tem um caráter mais livre de apresentação da obra do artista, nascido no Rio e filho do cientista suíço Emílio Augusto Goeldi. Há uma parede com uma seleção de gravuras "famosas" de Goeldi (o inevitável exemplo é o da figura que caminha com um guarda-chuva vermelho na paisagem preta) e uma seção dedicada aos temas marinhos e dos pescadores, também emblemáticas, e as de figuras em "noites urbanas". É uma mostra ampla, que ainda tem a seu favor ser itinerante: depois de São Paulo, será exibida em Brasília, Curitiba, Rio e Salvador. ServiçoGoeldi - Luz Noturna. Caixa Cultural São Paulo - Galeria Vitrine da Paulista. Avenida Paulista, 2.083, tel. 3321-4400. 9 h/21 h (dom., 10 h/21 h; fecha na segunda). Grátis. Até 20/9

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