Pinacoteca de São Paulo
Pinacoteca de São Paulo

OSGEMEOS terão obras na Pinacoteca

Dupla paulista é destaque da programação, que também vai contar com obras do famoso pintor e cineasta Andy Warhol

Maiara Santiago, especial para o Estado, O Estado de S. Paulo

14 de dezembro de 2019 | 08h00

OSGEMEOS, célebre dupla do cenário da arte urbana, está preparando uma exposição panorâmica na Pinacoteca de São Paulo para o ano de 2020. A mostra faz parte do tema escolhido pelo museu, que vai explorar nas suas próximas exibições a arte que surge entre o contato dos artistas com o meio urbano.

Com o nome de OSGEMEOS - Segredos, a exposição vai fazer um apanhado geral das obras da dupla de artistas, formada pelos irmãos Otávio e Gustavo Pandolfo. Nascidos em São Paulo, eles iniciaram a carreira no final da década de 1980, valendo-se da cidade como inspiração.

Referências na street art, que como o próprio nome sugere, é a arte que surge para intervir na paisagem urbana, eles têm obras em lugares como Estados Unidos, Suécia, Canadá e Londres. Mas, além dos clássicos, estarão disponíveis na Pinacoteca criações inéditas, feitas pensando no espaço do museu. No entanto, quantas e quais serão essas obras, é algo que ainda segue indefinido.

A exposição vai ocupar, ao todo, as sete galerias do primeiro andar e também o octógono. A curadoria será de Jochen Volz, diretor-geral da Pinacoteca, junto a outro nome ainda não revelado. Ela está prevista para abertura ao público no primeiro semestre de 2020.

Sociedade. Acompanhando OSGEMEOS, estarão outros artistas que, apesar de não possuírem a mesma estética da street art, também se valem da cidade e dos hábitos que ela estimula na sociedade moderna, para compor o seu modo de fazer arte.

Por meio de uma parceria já acertada entre o museu brasileiro e a fundação norte-americana Terra Foundation, nomes de peso como Andy Warhol, Cindy Sherman, Barbara Kruger e Edward Hopper entrarão em exibição para o público, na exposição Refiguring American Art (1913-1993). 

Em comum, muitos desses artistas estão ligados à pop art, estilo que começou a vigorar a partir da década de 1950, com o intuito de fazer uma crítica direta ao consumo excessivo da sociedade, ao mesmo tempo que traz uma profunda análise das culturas popular e de massa.

Produção nacional. O Brasil vai continuar tendo espaço reservado na agenda do museu. Entre os destaques já confirmados, estão as exposições de Hudnilson Jr. (1957-2013) e do carioca José Damasceno (1968). Fortes traços de brasilidade também estarão presentes na mostra coletiva que vai levar ao público a força da arte contemporânea indígena, valendo-se para tal da curadoria da pesquisadora Naine Terena. Pinturas, performances, fotografias, instalações e vídeos estão entre as peças que entrarão em exibição.

Nova abordagem. Em comemoração ao seus 115 anos, o museu também quer dar um novo olhar para a parte do acervo que fica constantemente exposta. A ideia é conseguir dar mais voz para as tantas obras e artistas que se perdem na imensidão de peças da instituição.

“Algumas lacunas nas narrativas dominantes, como a sub-representação de artistas mulheres, afro-brasileiros e indígenas, serão tematizadas na nova exposição”, explica Volz.

TRÊS ARTISTAS PARA VER COM ATENÇÃO NA PINACOTECA EM 2020

Andy Warhol

Pintor e cineasta, ele ficou conhecido como o principal representante da pop art entre 1960 e final de 1980. A utilização de temas populares do cotidiano, as cores vibrantes, a repetição dos elementos e a serigrafia, técnica simples de impressão em tecidos e papéis, estão entre as suas características. Suas obras mais famosas são as Marilyns, de 1964 e as Latas de Sopas Campbell, de 1962.

Hudinilson Jr. 

Artista multimídia nascido em São Paulo, tem em suas obras uma grande carga visual. Apesar de ter flertado com a xilogravura no começo da carreira, a partir de 1970 se apropria da fotografia para fazer colagens, tornando-a sua principal técnica. A sua maior característica é a constante utilização de corpos nus, como se nota na série autobiográfica Exercício de Me Ver, de 1981.

Edward Hopper 

Era o “pintor da solidão”, pois traz uma grande carga de melancolia em suas obras, por meio de figuras sozinhas e abandonadas. Tanto o ambiente rural como o da cidade são utilizados em seus trabalhos, sendo que as pinturas realistas não são um espelho da verdade, mas, sim, uma interpretação. Sua obra mais famosa é Nighthawks, de 1942, em que pinta pessoas em um restaurante.

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