Osesp, Municipal, São Pedro, Cidade da Música...

Principais entidades entram 2009 envolvidas em impasses: o ano que vem tem tudo para ser daqueles

João Luiz Sampaio, O Estadao de S.Paulo

29 de dezembro de 2008 | 00h00

Agora, é oficial. O maestro John Neschling deixa o comando da Osesp após o fim de seu contrato em 2010. Mas, enquanto é instituída a bolsa de apostas sobre seu sucessor, sua saída não se dá sem polêmicas - a Fundação Osesp garante que foi o maestro quem pediu para sair; por sua vez, Neschling garante que foi excluído das discussões sobre sucessão e que pretendia ficar pelo menos mais dois anos, o que não vai acontecer, diz, por conta de pressões da Secretaria de Estado da Cultura. No final de janeiro, a fundação, após receber a visita de dois conselheiros internacionais, deve informar ao público os critérios que vão guiar a escolha do novo diretor artístico do grupo. Até lá, a discussão gira em torno da independência que a fundação deveria ter com relação às flutuações políticas do governo do Estado.Nesse sentido, entra um outro dado. O Centro Tom Jobim deixou de ser a organização social responsável por comandar o Festival de Campos do Jordão e a Universidade Livre de Música, que passaram para a alçada da Faculdade Santa Marcelina. Nos bastidores, professores se dizem indignados com a alteração e afirmam que a decisão foi arbitrária, sem que um motivo claro fosse apresentado pelo governo do Estado. Por sua vez, o secretário João Sayad não dá maiores explicações e afirma apenas que a não renovação do contrato de gestão é prerrogativa do governo caso ache por bem assim fazer. No mesmo caminho seguiram as mudanças feitas no Conservatório de Tatuí. Se a existência das organizações sociais foi a solução escolhida para dar maior liberdade de gestão às instituições culturais, é provável (e necessário) que na pauta do ano que começa a relação entre elas e o governo volte com força à tona.No Teatro Municipal de São Paulo, os quatro primeiros anos da gestão Serra e, mais tarde, Kassab chega ao fim com algumas metas cumpridas e outras ainda a serem realizadas. A Central Técnica de Produção está funcionando a pleno vapor, agora com sede própria; o palco ganhou concha acústica nova; e a temporada de óperas parece consolidada, com oito títulos por ano, recorde dos últimos tempos, unindo novas produções e aquilo que o acervo do teatro tem de melhor, com ênfase em cantores brasileiros. Ficaram faltando a reforma técnica do palco, da estrutura de iluminação, do fosso da orquestra. O maestro Jamil Maluf, que comandou o teatro nos últimos quatro anos, fica ou deixa o cargo? Seria interessante, para mudar um pouco a rotina da relação entre arte e política, que a continuidade prevaleça.O Teatro São Pedro continuou como palco destinado à ópera, mas seu caráter foi questionado pelo secretário João Sayad. Maior variedade ou investimento concreto, que até agora não houve, em uma temporada exclusiva de óperas? Mais uma questão que permanece para o ano que vem. Da mesma forma, é preciso lembrar, no Rio, da Cidade da Música. O enorme complexo foi enfim inaugurado, mas ainda não está pronto. O novo prefeito, Eduardo Paes, disse que tem dúvidas sobre a continuação da obra. E, enquanto isso, pronta ou não, outro problema se coloca - quem vai administrar a sala? Até agora, nem sinal de novidades concretas nesse sentido. Preparem-se: 2009 tem tudo para ser um ano daqueles...

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