OSB anuncia programação de 2009

Com estrelas internacionais confirmadas, o regente titular e diretor artístico Roberto Minczuk vai reger 20 dos 32 concertos

Roberta Pennafort, RIO, O Estadao de S.Paulo

30 de janeiro de 2009 | 00h00

Apesar de o Teatro Municipal do Rio estar fechado para obras até julho e a Cidade da Música, por tempo ainda indeterminado, a Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB) não para. Ontem, seu regente titular e diretor artístico Roberto Minczuk divulgou a programação para 2009, que teve de ser adaptada à falta de grandes espaços na cidade para os músicos tocarem no primeiro semestre.Durante esse período, as apresentações serão na Sala Cecília Meireles, que tem 835 lugares - o Municipal, principal palco da OSB, tem quase três vezes mais. Por conta disso, os concertos serão sempre duplos, já que o público por apresentação será bem menor. "A escolha do repertório foi influenciada pela questão do espaço", disse Minczuk. As efemérides de 2009 também repercutiram na temporada: os 200 anos do nascimento de Mendelssohn serão lembrados já nos concertos de abertura, nos dias 13 e 14 de março, com a Abertura Trompete em Dó maior, Op. 101. O Ano da França no Brasil será celebrado na mesma ocasião com a Sinfonia nº 3 em dó Menor, Op. 78, Órgão, de Saint Saëns (ao longo do ano, serão tocados ainda Ravel, Debussy, Chabrier, Roussel e Milhaud). Estrelas internacionais acertaram participações - a crise mundial não chegou a afetar a OSB nesse sentido, afirmou Luiz Fernando Benedini, diretor executivo da fundação que administra a orquestra. "Usamos a crise como fator de negociação. Chamamos artistas que tocam com as orquestras mais ricas do mundo, mas eles vêm por valores inferiores aos que cobram para tocar na Europa", complementou Minczuk.Entre eles, estão a pianista portuguesa Maria João Pires, o violinista norte-americano Joshua Bell e os pianistas Ivo Pogorelich, Lilya Zilberstein e Alexander Toradze, além dos regentes Andrew Grams, Stefan Lano e James Judd. Pela primeira vez na América Latina, a japonesinha prodígio Aimi Kobayashi, pianista de 13 anos, interpretará Beethoven. Villa-Lobos, cuja morte faz 50 anos em novembro, e Haydn, morto há dois séculos, serão homenageados. Serão 32 concertos no total (no Rio e em São Paulo), sendo que Minczuk regerá 20 deles.O maestro, que, no ano passado, teve a cabeça pedida pelos músicos à Fundação OSB, garante que a turbulência passou. "O diálogo está mais amplo e aberto. Está superada a crise", disse. Segundo Benedini, "o ambiente é absolutamente cordial". De acordo com os músicos, representados pelo violinista Ubiratã Rodrigues, a relação é apenas "profissional". Ele negou a informação dada por Benedini de que o salário-base foi aumentado (de R$ 4 mil para R$ 6 mil), demanda antiga.Minczuk prefere não se estender nesses assuntos, assim como não comenta a recente demissão de John Neschling da Osesp. Quanto à Cidade da Música, a sonhada sede da OSB, cuja obra está sendo auditada pela nova administração municipal, por conta de seu alto custo (cerca de R$ 400 milhões até agora), o sentimento demonstrado pelo religioso maestro é um só: esperança. "Se Deus quiser, os concertos acontecerão na Cidade da Música o mais breve possível."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.