Os Produtores traz humor escrachado de Mel Brooks

Versão nacional de um dos grandes sucessos da Broadway estréia hoje em São Paulo, com Miguel Falabella, Vladimir Brichta e Juliana Paes nos papéis principais

Ubiratan Brasil, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2014 | 00h00

As torres do World Trade Center, em Nova York, ainda estavam em pé quando Miguel Falabella decidiu ver a montagem americana de The Producers, grande sucesso de Mel Brooks. "Fiquei fascinado e logo pensei em trazer para o Brasil", conta ele que, por conta da dificuldade em levantar patrocínio - naquele ano de 2001 os musicais ainda despertavam desconfiança dos patrocinadores -, teve de adiar o plano até finalmente acertar com Sandro Chaim a montagem que estréia hoje, no Tom Brasil, com o título Os Produtores.Trata-se da história de um produtor de musicais, Max (Falabella), cuja carreira está em decadência, e que para se salvar namora velhinhas endinheiradas. Tudo muda quando seu contador, Leo (Vladimir Brichta), sem querer, lhe dá a dica de como ficar rico: levantar dinheiro para um espetáculo e montar um grande fracasso, que sairá de cartaz no primeiro dia.Os dois embarcam no projeto e, para isso, escolhem um musical sobre a época nazista, Primavera para Hitler. Para dirigi-lo, escolhem o "pior diretor de todos os tempos", o afetadíssimo Roger de Bries (Sandro Cristopher). No meio da história surge ainda Ulla (Juliana Paes), a candidata a assistente por quem Leo se apaixona, e que acaba contratada como principal atriz, secretária e recepcionista. Tudo parece estar dando certo, mas o espetáculo, no final, transforma-se em um grande sucesso."O humor, típico de Mel Brooks, não perdoa ninguém, o que transforma o musical em um produto especial", conta Falabella, que adaptou a história contando com a benevolência do autor. "Ele sabe da necessidade de se fazerem algumas modificações para que as piadas funcionem, portanto, pude mexer no texto sem comprometer com sua estrutura original."Assim, desde transformar um caipira americano em um matuto do interior do Brasil até adaptar as letras à musicalidade brasileira, Falabella conseguiu manter a graça e a pesada ironia, típica do humor de Brooks.Para a montagem nacional, o Tom Brasil foi adaptado: o piso do palco foi trocado, para que os cenários pudessem correr, e a casa ganhou mais 20 varas de iluminação e cenários. "Trata-se da minha maior empreitada", confessa Sandro Chaim que, apesar de ter apenas 30 anos, já contabiliza 33 produções no currículo. Para Os Produtores, ele investiu 7 milhões de reais.Todos os detalhes, portanto, foram levados em consideração. "Embora soubesse que podia cantar e atuar, não pensei que conseguiria participar de uma produção desse tamanho", confessa Vladimir Brichta. "E o grande barato é que, embora tenha um formato específico, esse musical pode ser adaptado em relação às nossas necessidades", comenta Juliana Paes.

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