Ryan McBride/ AFP
Ryan McBride/ AFP

Os milhões que podem solucionar o mistério do grande roubo de obras de arte

Neste 31 de dezembro expira o prazo de uma recompensa milionária para quem lance alguma luz sobre o maior roubo de arte dos EUA

Javier Pachón Bocanegra, EFE

30 Dezembro 2017 | 13h47

Salvo surpresa de última hora que ponha fim ao mistério, neste 31 de dezembro expira o prazo de uma recompensa milionária para quem lance alguma luz sobre o maior roubo de arte dos Estados Unidos.

Desde aquela inesquecível noite de março de 1990, continua desconhecida a autoria ou o destino do maior botim artístico, surrupiado do Museu Isabella Stewart Gardner, de Boston. 

Numa aposta desesperada para iluminar os obscuros 27 anos de investigação sobre o caso, o museu anunciou em maio uma tentadora recompensa de US$ 10 milhões para quem der uma pista, lançar um fio de esperança, que permita recuperar as 13 obras únicas roubadas. 

Disfarçados de policiais, os dois ladrões conseguiram entrar de madrugada no edifício e cometer o roubo, após primeiro enganar e amordaçar um vigia e em seguida amarrá-lo a outro. Os dois ficaram imobilizados até a chegada da polícia na manhã seguinte. 

A operação toda levou 81 minutos. A destreza dos ladrões contrastou com seu ínfimo conhecimento de arte, já que cortaram as telas à faca para retirá-las das molduras. Além disso, deixaram para trás valiosos quadros de Rafael e Tiziano. 

O FBI informou em 2013 que havia identificado os ladrões como mafiosos de Boston, sem revelar seus nomes. Eles não teriam se afastado muito do Estado de Massachusetts e tentaram fazer dinheiro com as obras em Connecticut e Filadélfia. Nada mais foi dito a respeito, e dois anos depois o FBI informou que os dois suspeitos, criminosos de Boston, haviam falecido. 

As investigações levaram a outro mafioso, um octogenário de Connecticut, que disse a um agente do FBI disfarçado ter tido acesso às peças, para negar em seguida. 

As quase três décadas do roubo não diminuíram o otimismo do museu, que ainda mantém penduradas quatro das molduras douradas na esperança de que algum dia as obras elas voltem. 

Floram levadas 13 obras: três quadros de Rembrandt, cinco de Degas, um de Vermeer, um de Manet e um de Govaert Flinki, além de uma vasilha de bronze da dinastia chinesa Shang e um adereço em forma de águia que coroava uma bandeira napoleônica de seda.

Das obras roubadas destacam-se Tempestade no Mar de Galileia (1633), única paisagem marinha que se conhece de Rembrandt, e O Concerto (1658-1650), um dos 34 existentes de Vermeer.

De qualquer modo, os autores do roubo não sofreriam hoje nenhuma punição penal, já que as acusações pelo delito prescreveram há 22 anos. 

Entre os possíveis suspeitos cogitados durante esses anos estão membros do Exército Republicano Irlandês (IRA), milionários, emires do Oriente Médio, gente do próprio Vaticano e o vigia subjugado e amarrado. 

O golpe ainda agita o Museu Isabella Stewart Gardner, que mantém uma página na internet para receber pistas, com os possíveis passos dos ladrões e os valores das peças desaparecidas. 

Até o último segundo de 2017, o museu estará à espera do telefonema de alguém cuja memória, refrescada pelos US$ 10 milhões, ajude a esclarecer o enigma. 

A partir de 1º de janeiro a recompensa será reduzida para US$ 5 milhões, valor que o museu oferece habitualmente pela recuperação de seu tesouro. / TRADUÇÃO DE ROBERTO MUNIZ 


 

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