Orleans anuncia suas superestrelas

Aretha Franklin, Etha James, Irma Thomas, Mavis Staples e Sharon Jones, o exército de divas da maior mostra americana

Jotabê Medeiros, O Estadao de S.Paulo

20 de janeiro de 2009 | 00h00

O Festival de Jazz de New Orleans, um dos mais tradicionais eventos musicais dos Estados Unidos, anunciou na sexta-feira a programação para a sua 40ª edição, que ocorre entre os dias 24 e 26 de abril e 30 de abril e 3 de maio. O canto feminino é o destaque: algumas das maiores divas da música negra americana, Aretha Franklin, Etha James, Irma Thomas, Mavis Staples e Sharon Jones, estarão na jornada.Mas é um festival especialmente reforçado, o deste ano. Entre outras estrelas, estão confirmadas Wynton e seu pai, Ellis Marsalis, Joe Cocker, Tony Bennett, Wilco, Bonnie Raitt, Erykah Badu, Dr. John, Kings of Leon, Allen Toussaint, Jakob Dylan e The Neville Brothers. Dois grandes tributos estarão na jornada: a reunião comemorativa dos 50 anos do álbum Kind of Blue, de Miles Davis, e The Genius of Sydney Bechet, com Bob Wilber, Guy Clark e a Preservation Hall Jazz Band."Desde o seu primeiro dia, em 1970, o mérito do festival foi permanecer imutável como uma festa do jazz que continua a celebrar o sopro cultural de New Orleans e da Louisiana", disse Quint Davis, produtor e diretor do Jazz Fest. "Embora o tamanho e o impacto do festival tenham crescido dramaticamente, nós nunca perdemos de vista o objetivo original de apresentar essa cultura única para o mundo por meio da música, do melhor da cozinha local e a agradável celebração da vida."O fundador do Jazz & Heritage Festival foi o músico George Wein, que já organizava desde 1954 o Newport Jazz Festival e também o famoso Newport Folk Festival - aquele mesmo no qual Bob Dylan tocou folk com guitarra elétrica, em 1965, escandalizando os puristas. Ele levou seu conceito para New Orleans porque dizia que estava ali "a mais rica herança musical da América do Norte".Wein continua pensando da mesma forma. Em release do festival, Wein afirmou, com orgulho: "É maravilhoso ver que o festival continua seu alegre legado que começou quatro décadas atrás no Congo Square. Só um festival pode ter essa grandiosidade, essa capacidade de entretenimento e importância, porque só existe uma New Orleans."Os preços para o festival não estão entre os mais caros de mostras do tipo: os três primeiros dias custam US$ 105, e os três últimos dias custam US$ 140. A mostra é um empreendimento cujo custo gira em torno de US$ 10 milhões. O festival movimenta muitos milhões mais, e tem se tornado uma das ferramentas-chave para a reconstrução da cidade desde a tragédia do furacão Katrina.Para o trompetista Irvin Mayfield, diretor da New Orleans Jazz Orchestra, o gênero musical que nasceu ali também deveria ser guindado ao posto de maior produto de exportação da cidade. Mayfield coordena o projeto de construção, em New Orleans, do National Jazz Center, um plano de US$ 700 milhões que vai erguer no centro da cidade uma instituição referencial para a música. O prédio tem projeto arquitetônico de Thomas Mayne. "O jazz é a mais abundante fonte natural de recursos no Sul dos Estados Unidos. O centro vai catalisar e estimular a revitalização da economia de New Orleans, na qual o jazz tem papel central", diz Mayfield.Pisar no chão, nas tendas desse festival é pisar na história da evolução da música norte-americana. Duke Ellington, Fats Domino, Mahalia Jackson: algumas das maiores expressões do jazz, do rhythm?n?blues e da soul music passaram por ali.

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