Original de Rembrandt revelado na Inglaterra

Autorretrato tinha sido doada por filantropo inglês e sua autoria permanecia um mistério há pelo menos quarenta anos

Londres - Agências Internacionais

10 Junho 2014 | 19h56

Análises científicas verificaram a autenticidade de um auto retrato do pintor holandês Rembrandt, doado em 2010 para o National Trust (Fundo Nacional), instituição britânica dedicada à preservação do patrimônio cultural do Reino Unido.

Oito meses de exames científicos dissiparam as dúvidas sobre a autoria do quadro, que tem um valor estimado em R$ 100 milhões. A pintura, que era anteriormente atribuída a um pupilo do mestre holandês, se encontra agora exposta nas paredes da Abadia de Buckland, no condado inglês de Devon, no sudoeste da Inglaterra.

O quadro está no que foi, durante o século 16, o domicílio do corsário, explorador e comerciante de escravos Francis Drake, e sua autoria era um mistério que já durava quarenta anos.

A obra foi cedida ao National Trust há quatro anos como um presente dos herdeiros de Lady Samuel de Wych Cross, cujo marido, o filantropo Lord Samuel de Wych Cross, era colecionador de numerosas pinturas durante sua vida, muitas expostas atualmente na galeria Manson House, em Londres.

Um especialista na obra do célebre pintor holandês, Horst Gerson, e o chamado Rembrandt Research Project (RPP), concluíram há quarenta anos que esse retrato seria obra de um dos alunos do artista.

Porém, depois de analisar a evolução do estilo do pintor e depois de levar a cabo uma nova investigação da pintura a cargo do especialista mais renomado na obra de Rembrandt, Ernst van de Wetering, o quadro foi atribuído ao artista holandês.

Durante os últimos oito meses, a pintura foi submetida a novos exames científicos no Instituto Hamilton Kerr, no condado de Cambridgshire, que agora confirmam sua autoria e autenticidade.

A obra não pode ser vendida por justamente estar sob os cuidados do National Trust, que é considerada instituição de caridade em favor da cultura local.

A conservadora de arte do Instituto Kerr, Christine Slottvedd Kimbriel, explicou que o autorretrato foi submetido a diversas análises, que incluíram exames visuais ampliados, radiografias e reflectografias por infravermelho – este, um processo de cópia que utiliza luz.

“Ao limpar com cuidado e retirar camadas amareladas de verniz velho, foram reveladas as cores originais e o estilo do quadro”, assinalou Christine.

A pesquisadora acrescentou que o processo resultou em uma “autêntica profundidade das cores, muito mais detalhes e uma aparência em três dimensões do tecido da camada de Rembrandt”, que previamente havia escurecido e não percebida pelas pesquisas do Rembrandt Research Project.

Especialistas da Universidade de Cambridge também analisaram a estrutura celular do painel de madeira em que o retrato foi pintado – álamo ou salgueiro, dois tipos preferidos de Rembrandt. Os pigmentos analisados também bateram com os já conhecidos do pintor holandês.

“O verniz estava tão amarelo que era difícil visualizar o charme do retrato”, disse o curador de pinturas e esculturas do National Trust, David Taylor. “Agora é possível ver os tons de pele e outras cores, assim como o modo como a pintura foiz realizada. Agora é muito mais fácil apreciá-lo como a um Rembrandt”, concluiu.

Durante esse minucioso processo, investigou-se, também, a assinatura do artista, que ofereceu pistas que corroboraram a autenticidade do quadro.

Rembrandt Harmenszoon van Rijn (1606-1669) foi um dos autores de autorretratos mais prolíficos. Os especialistas estimam que ele pintou entre 40 e 50 quadros de si mesmo em óleos, e que utilizou o próprio corpo como modelo em 32 gravuras e sete desenhos.

No autorretrato encontrado na Abadia de Buckland, aparece um Rembrandt de 29 anos, com uma capa de veludo preta e um chapéu decorado com duas penas de avestruz. O retrato é do ano de 1635. / AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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