Opiniões

''''Há tempos o feio e o horror entraram na arte tornando essa questão complexa e ambígua. A beleza ficou clandestina. É, portanto, um terreno híbrido. Quando se fala sobre essa questão, lembro-me sempre do poema Beleza e Verdade, de Emily Dickinson, que fala que ambas foram enterradas lado a lado: onde está uma, está a outra. Não sei dizer a obra mais feia que vi, mas tem uma atitude que acho feia: quando o artista explora o cadáver da arte.''''PAULO PASTA, PINTOR''''A feiúra está na sua beleza. Na tradição clássica, quando se começa a julgar o que é belo, começa-se a julgar também o que é o feio. A obra mais feia que vi é também uma das mais belas: Les Demoiselles d''''Avignon, de Picasso, porque ela rompeu o paradigma.''''MARCO GIANNOTTI, PINTOR''''Sou partidário, militante da beleza. A arte contemporânea, ao tentar romper com os padrões tradicionais de beleza, acabou incorporando o feio como choque. A oposição belo e feio é inerente à natureza humana, que é dual. Belo e feio são da área sensorial, a divisão deles é cerebral. Hoje a arte tem de ampliar a noção de belo, expandi-la. O feio é o que não tem propósito, o que falta razão de ser. O belo, em contrapartida, tem um propósito no mundo - a beleza é uma forma de inteligência. Quando estive na feira de Basel e vi aquelas centenas de obras de arte, comecei a perceber, depois de cinco dias, que o conjunto delas me dava a sensação de estar em um museu de horrores. O conjunto de arte contemporânea, quando as obras são vistas como uma grande obra, perdeu o propósito. Precisamos entrar numa nova era, é uma questão política encontrar uma nova noção de beleza.''''ARTHUR OMAR, CINEASTA E FOTÓGRAFO''''Se existe o belo, também existe o feio em arte. Para mim, há trabalhos artísticos muito feios do ponto de vista ético. Para ficar num exemplo, algumas ações de Santiago Serra eu classificaria de feias, como aquela em que paga jovens cubanos para ficarem num palco e serem cortados por uma linha, tornando os espectadores cúmplices. Não acho que um trabalho sobre a exploração deva ser a exploração. Por outro lado, existem trabalhos que ostentam muito e não têm força poética. Querem conquistar o público pela escala. Isso é feio, não Munch ou a estética punk.''''AGNALDO FARIAS, CRÍTICO DE ARTE''''Acho que certas manifestações da arte contemporânea não estão preocupadas nem com a beleza nem com a arte. Não existe nem mesmo o critério estético. Exemplo disso é essa instalação com 300 maçãs sobre mármore (ele se refere a uma obra de Laura Vinci). Sinceramente, prefiro as maçãs de Cézanne: duram mais. Quando Cézanne pintou essas maçãs, um crítico disse de certas pinturas realistas que você tem vontade de comê-las, mas, ao ver uma maçã de Cézanne, se tem vontade de dizer que é bela. Ele dizia que mudava o mundo com a pintura. Nisso eu acredito.''''FERREIRA GULLAR, CRÍTICO''''Gullar não viu minha instalação. Acho que se surpreenderia, pois trabalho com o belo. A idéia é mesmo de que essas maçãs (da instalação da Galeria Nara Roesler) não durem. Meu trabalho lida com a transitoriedade, a transformação. Não existe feio em arte. Feio são as coisas ruins da vida''''.LAURA VINCI, ARTISTA PLÁSTICA

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