Ópera ao ar livre para conhecer Marcos Portugal

As Damas Trocadas, de 1797, será apresentada no Paço Imperial, no Rio

Roberta Pennafort, Rio, O Estadao de S.Paulo

24 de maio de 2008 | 00h00

Tido como um dos mais influentes compositores eruditos portugueses, Marcos Portugal (1762-1830) é pouco conhecido em terras brasileiras. As comemorações dos 200 anos da chegada de d. João ao País fizeram seu nome vir à baila - era o preferido de Carlota Joaquina e mestre de seus filhos. Quem estiver no Rio e quiser conhecê-lo melhor deve se dirigir hoje à noite ao Paço Imperial, onde será encenada sua ópera As Damas Trocadas, de 1797.A propósito, a montagem não será dentro do Paço, mas em frente à bela construção do século 18, que receberá iluminação especial e servirá como cenário. Sim, é uma ópera ao ar livre, gratuita, como poucas vezes se vê na cidade. ''É uma forma de trazer a ópera para suas raízes populares'', explica André Heller-Lopes, o diretor. ''Temos a oportunidade de mostrar que não se trata de um monte de gente gorda cantando uma música que ninguém entende'', diz o barítono Márcio Marangon.Integrante do coro do Teatro Municipal de São Paulo, Marangon encarna o Conde Fricandó, um dos componentes do ''quadrado amoroso'' em torno do qual gira a história. São dois casais, um nobre e outro plebeu, cada um composto de um ente infernal e outro bonzinho.Por obra de feitiçaria, há uma troca de esposas e todos têm de se adaptar à nova e inusitada realidade. A confusão, naturalmente, gera situações engraçadas, que deverão arrancar risos do público. ''É um espetáculo divertido e acessível, até por ser em português'', conta Livia Dias, a mulher do sapateiro que se vê, repentinamente, em trajes de condessa. Moral da história: não se deve maltratar os outros. Não se sabe se As Damas Trocadas já foi encenada no Brasil - se isso aconteceu, foi ainda no século 19.Os figurinos são de Marcelo Marques (das peças Sassaricando e Rádio Nacional, entre outras). Foram idealizados tendo como fontes de inspiração as pinturas nas quais o pintor francês Debret retratou a corte do século 19 no Rio. Seis cantores e uma atriz estarão em cena - além de um orquestra de 40 músicos, regida pelo maestro Guilherme Bernstein. Os ensaios duraram um mês. Em julho, a ópera será levada ao palco da Sala Baden Powell, em Copacabana. A produção é da Dell''Arte, com apoio da prefeitura.O diretor adaptou o texto (escrito primeiro em italiano; a versão em português é de 1804) para facilitar sua compreensão. Palavras difíceis foram trocadas e até uma menção à dengue, que voltou a assolar a cidade no século 21, foi enxertada. Lopes conseguiu a partitura com o musicólogo inglês David Cranmer, que vive em Lisboa e é especialista na obra de Marcos Portugal.

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