Olívia Hime visita a obra poética de Ruy Guerra

A cantora lança o CD Palavras de Guerra, dedicado ao amigo cineasta e letrista, e apresenta espetáculos inspirados nesse projeto, de hoje até quinta-feira

Adriana Del Ré, O Estadao de S.Paulo

07 de julho de 2024 | 00h00

A cantora e compositora Olívia Hime deixa de lado o Ruy Guerra cineasta, mais conhecido, para dar atenção exclusiva ao Ruy Guerra letrista. Ele, seu amigo de longa data, é homenageado pela cantora em seu novo CD, Palavras de Guerra (Biscoito Fino), que tem co-produção do marido Francis Hime, e nos espetáculos inspirados no trabalho, como os que ela apresenta hoje, no Sesc Santo André, e amanhã e quinta-feira no Sesc Santana.Nos três dias, haverá gravação de um DVD, o segundo da carreira da cantora, parceria da gravadora com o Canal Brasil, que vai exibir o especial em outubro. O DVD trará ainda depoimentos dos parceiros de Guerra, cenas de bastidores e deve ser lançado em novembro.O show reproduzirá o roteiro de canções do disco, com algumas poucas modificações. A escolha das músicas, parcerias de Guerra com compositores como Chico Buarque, Edu Lobo, Carlos Lyra e Francis Hime, foi alinhada tão-somente com o que Olívia queria cantar. ''''Eu tinha umas 30 músicas, fui cantando e entendendo que havia imagens surgindo'''', ela diz. ''''Intuitivamente, fui seguindo temas do amor, da mulher, do mar e da morte. Mas ele não fala da morte de uma maneira pesada: se confronta com o assunto, que percorre seu inconsciente.''''Do universo musical desse moçambicano radicado há anos no Brasil, ela extraiu canções como Esse Mundo É Meu (parceria com Sérgio Ricardo), Ode Marítima e Carta (ambas com Francis Hime), Bárbara (com Chico Buarque) e Jogo de Roda (com Edu Lobo). Outras que fizeram falta no CD foram resgatadas para o espetáculo, como Fado Tropical e Você Vai me Seguir, ambas compostas por Ruy Guerra e Chico Buarque. Há ainda aquelas que cumprem a função de vinhetas, introduções para blocos musicais do show, como Sonho Impossível (parceria com J. Darion e M. Leigh) e Ana de Amsterdam (outra com Chico Buarque).Olívia e Guerra se conheceram quando a cantora era uma jovenzinha recém-chegada de Londres, onde morou por algum tempo. ''''Minha mãe preparou uma festa para mim e foram lá Edu Lobo, Francis Hime, que na época eu conhecia pouco. Ruy Guerra apareceu também nessa festa e nos tornamos grandes amigos. Ele era o mais velho da turma.''''Os dois perderam contato nos últimos anos. Há algum tempo, Olívia pensava em realizar um projeto focado nos anos 70, mas não sabia ao certo o quê. Um belo dia, assistindo a um filme do Andrucha Waddington (Casa de Areia), a cantora viu a presença de Guerra na produção e se deu conta de que esse trabalho que ela planejava podia trilhar a obra musical do amigo letrista.''''Primeiro, veio essa vontade de olhar os anos 70, depois cheguei às canções de Ruy Guerra, e aí veio eu, a cantora, que escolheu coisas que tinham a ver comigo, com o que eu queria cantar'''', descreve ela.Olívia conhece bem também a obra cinematográfica de Guerra. Assistiu aos filmes dele e identifica uma linha tênue entre Ruy Guerra cineasta e letrista em vários aspectos. Acredita que a mesma diversidade de sentidos coexiste tanto em letra, quanto em imagem. Mas diz que em nenhum momento faz o entrelaçamento dessas duas obras. ''''Não entro em nenhuma imagem dele. Quando canto músicas do Calabar, não passam pela minha cabeça cenas do musical. É uma nova história, são novas imagens que surgem para mim.''''

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