Obras de Damien Hirst podem emitir gases tóxicos, segundo estudo científico

Cientistas do Politécnico de Milão utilizaram um sensor remoto para avaliar as exposições

EFE

01 de maio de 2016 | 17h23

Os famosos animais mergulhados em formol de Damien Hirst, um dos artistas britânicos vivos mais cotados, podem emitir gases tóxicos, revela um estudo publicado pela Royal Society of Chemistry do Reino Unido.

Os cientistas detectaram elevados níveis de um gás potencialmente cancerígeno nas salas da exposição dedicada ao artista em 2012, na Tate Modern de Londres, a mostra individual mais concorrida até então na história da prestigiosa galeria, com mais de 450 mil visitantes.

Uma das principais atrações da mostra foram os grandes tanques de formol nos quais Hirst submerge espécimes de animais intactos, por vezes cortados ao meio, como zebras, vacas e tubarões.

Cientistas do Politécnico de Milão utilizaram um sensor remoto para medir a presença no ar de vapores procedentes das centenas de litros do composto químico formaldeído, associado a alguns tipos de câncer pela Organização Mundial da Saúde.

Os detectores captaram um grau de concentração de 5 partes por milhão (ppm), dez vezes superior ao limite legal de 0,5 ppm.

Os investigadores assinalaram em seu parecer que os vapores potencialmente tóxicos poderiam filtrar pela borracha de silicone, o material selante dos cofres de vidro em que os animais estão expostos.

Um porta-voz da Tate Modern ressaltou que a galeria “tem como prioridade a segurança dos seus funcionários e dos visitantes, e toma todas as precauções necessárias na instalação e na abertura das exposições ao público ”.

“Estes trabalhos (de Damien Hirst) contêm uma solução muito diluída de formaldeído no interior dos tanques selados”, afirmou o porta-voz.

Hirst, por sua vez, publicou um comunicado em sua página na Internet na qual garante que suas obras passaram pelos “testes de praxe”.

“Nossos especialistas declararam que nos níveis informados por esta análise, os olhos (dos visitantes) lacrimejariam e seria relatado um grave incômodo físico”, continua a nota.

“Não nos foi feita nenhuma queixa deste teor durante a exposição, nem em nenhuma outra na qual foram exibidos trabalhos com formaldeído. Não acreditamos que o público tenha corrido algum risco”, afirma o artista. (TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA)

 

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