O todo orgânico na produção do artista Paulo Monteiro

Mostra que ele acaba de abrir na Estação Pinacoteca entrelaça suas pinturas, esculturas e desenhos feitos entre 1989 e 2008

Camila Molina, O Estadao de S.Paulo

15 de dezembro de 2008 | 00h00

"Toda a Geração 80 começou nos anos 90", brinca Paulo Monteiro, que integrou, na década de 1980, o ateliê da Casa 7 em São Paulo, ao lado de Nuno Ramos, Rodrigo Andrade, Fábio Miguez e Carlito Carvalhosa. "Com 20 e poucos anos estivemos na Bienal, mas a Geração 80 foi uma urgência do Brasil naquele momento de abertura", diz Monteiro. Por isso, na ampla exposição que ele acaba de inaugurar na Estação Pinacoteca - mostra que perpassa sua trajetória -, a obra mais antiga é de 1989. É uma daquelas telas cheias de matéria e cores (tem Durepox, tintas), tão características daquele momento de ?explosão da pintura?, mas já um passo adiante do que o artista considera "coisa de formação" - perto e a partir dela estão conjuntos de esculturas ou relevos (de piso e de parede), que revelam a passagem do artista para a tridimensionalidade e para o uso "reflexivo" do traço : "O pensamento da minha obra é espacial; a forma é só ponto de partida para o gesto, para a linha, para a expressão", diz Monteiro.Mas é bom se dizer que o artista não fez o caminho do pictórico para o escultórico e ponto. Monteiro transita entre a pintura, o desenho e a escultura (e há até um conjunto de xilogravuras) de maneira natural e ao mesmo tempo durante toda a sua carreira, como se pode ver nessa exposição, com cerca de 140 obras de 1989 e 2008, com curadoria de Taisa Palhares. "Não suspeitava da relação que todos tinham", diz Monteiro, que terá livro sobre sua trajetória a ser lançado em fevereiro, pela Cosac Naify, e atualmente também faz exposição de guaches recentes - com cores fluorescentes - na Galeria Marília Razuk.Em sua mostra no museu, a pintura de 1989 coloca-se como marco emblemático de sua passagem do começo bem matérico para algo mais diluído a partir de 1995. A linha apresenta-se como elemento principal de seus desenhos - é com ela, nas bordas do papel, que o artista, na verdade, encorpa o vazio da composição -, faz um caminho natural para as telas de cores "ralas". As linhas também entram nas obras pictóricas mais recentes, nas quais Monteiro prefere usar cores vibrantes. É muito interessante também ver a relação das formas das esculturas se relacionando com as que aparecem em suas pinturas e desenhos. "A montagem é cronológica para evidenciar como todos os problemas permanecem no todo orgânico de sua obra", observa a curadora.A Estação Pinacoteca também apresenta a mostra Explosões, com pinturas-objetos feitas nos últimos dois anos por Marcello Nitsche, e a de vídeo do artista argentino Roberto Jacoby, que inaugura amanhã individual na Galeria Baró Cruz. ServiçoPaulo Monteiro, Marcello Nitsche e Roberto Jacoby. Estação Pinacoteca. Largo General Osório, 66, telefone 3337-0185. 10 h/17h30 (fecha 2.ª). R$ 4 (sáb. grátis). Até 22/2

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