O tempo que voa e surpreende

Com um ligeiro atraso, Os Paralamas do Sucesso estreiam novo disco

Pedro Henrique França, O Estadao de S.Paulo

19 de junho de 2009 | 00h00

Em 1995, Herbert Vianna, João Barone e Bi Ribeiro se fartaram com o sucesso. Motivo: o disco Vamo Batê Lata, o trabalho mais vendido em toda a trajetória de 27 anos do grupo Os Paralamas do Sucesso. Entre canções como Uma Brasileira, parceria com o baiano Carlinhos Brown, despontava Luís Inácio (300 Picaretas), que, apesar de grafada com acento no ?i? e ?s? em vez de ?z?, é uma alusão ao então líder do PT que à época acabara de amargar a segunda derrota consecutiva à Presidência do País. Quatorze anos se passaram, e Brown retornou no álbum Brasil Afora, lançado no início de 2009. A percepção política do trio, porém, é outra. "O Lula continua sendo um grande enigma pra gente, pelo fato de ver um cara como ele, com aquela esperança toda de mudança, se acomodar na chinela confortável que existe em Brasília", analisa Barone - que votou no petista na primeira eleição, mas não colaborou com sua reeleição.Mas vamos nos entreter e alienar-se com música, como sugere, aos risos, o baterista. Afinal, ela que move Barone e seus dois companheiros a subirem hoje e amanhã ao palco do Citibank Hall. Os Paralamas chegam com um certo ?atraso? à cidade. E o intervalo de seis meses entre o lançamento e o show surpreendeu o grupo. "É impressionante como o tempo está passando rápido. Há um ano a gente estava em estúdio, lançamos o disco no início de 2009 e, de repente, passaram-se seis meses", conta Barone. A turnê estreou há um mês, em Curitiba. Os shows anteriores serviram para "esquentar a chapa" antes de se apresentaram em São Paulo e no Rio ("as vitrines"). O repertório abarca novidades. Abre com A Lhe Esperar (Arnaldo Antunes/Liminha) e inclui uma das duas inéditas de Brown (Sem Mais Adeus). Com elementos regionais, é Mormaço, exalta Barone, a que mais simboliza o conceito de Brasil afora. "É uma das canções mais lindas que Herbert compôs desde Alagados." A enxurrada de sucessos está garantida - entre outras, Romance Ideal, Meu Erro, Lourinha Bombril, Caleidoscópio... E até Sonífera Ilha, dos colegas titânicos. O ineditismo maior, porém, é a presença de Barone nos vocais. Mas não se assuste. Herbert continua à frente, independentemente do déficit de memória recente decorrente do acidente de ultraleve que sofreu em 2001 e que matou sua mulher, Lucy. Página virada, Barone estreia ao microfone em O Vencedor, do Los Hermanos. "A gente já a cantava em ensaios. Aí, a brincadeira ficou fixa. Mas não há nenhuma pretensão além disso." No momento, o foco do Paralamas é o pé na estrada. A três anos de atingir a marca de três décadas de história, Herbert, Bi e Barone ainda não idealizaram nenhum projeto especial. Longe demais para isso? Talvez. Mas eles sabem que o tempo está passando cada vez mais rápido. ServiçoParalamas. Citibank Hall (1.450 lug.). Av. Jamaris, 213, 2846-6000. Hoje e amanhã, 22 h. R$ 50 a R$ 130

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