O sucesso do mangá mestiço

Primeiro beijo de Mônica e Cebolinha estará na capa do n.º 4 da retumbante série com a turma jovem de Mauricio de Sousa

Beth Néspoli, O Estadao de S.Paulo

14 de novembro de 2008 | 00h00

"Maneiro... A Mônica cresceu!" Rápida como uma flecha, a menina saca na estante, entre centenas de livros, o gibi número 1 da Turma da Mônica Jovem. Fora comprado por curiosidade de adultos, que jamais imaginaram pudesse atrair uma criança de 7 anos. O espanto se renova quando ela encontra crianças num espaço de convivência: "Você leu o número 2? Eu já tenho", diz a ?recém-amiga? também de 7 anos. A história acima não é ficção e deve ter-se repetido, com variantes, em muitos lugares, porque ao tentar recuperar na banca o revista que a menina levara... "Ih, se você tem, guarde que já é raridade", diz a vendedora. A constatação do sucesso de venda se completa com a compra do número 3 no qual se lê que a tiragem de 50 mil inicialmente prevista ultrapassou os 200 mil exemplares e ainda assim esgotou-se. É hora de conversar com o autor da turminha.No seu estúdio, Mauricio de Sousa fala ao Estado sobre esse sucesso e antecipa, com exclusividade, a capa do número 4 que estará nas bancas no dia 22: o primeiro beijo entre Mônica e Cebolinha. "Mas em que condições eu não digo", brinca. Para quem não se ligou, a Mônica ganhou traços de mangá - ou um "mestiço" entre o desenho japonês e o original - e tornou-se adolescente.Agora, ela é só um pouco dentucinha, nada gorducha, mas ainda tem seu coelho. Continua amiga de Magali que, embora gulosa, cuida da alimentação; do Cebolinha, que só fala ?elado? quando fica nervoso, e do Cascão, que adora esportes e até toma banho, por causa das garotas.Curiosamente, adolescentes entre 12 e 16 anos, o público-alvo, foram os que menos gostaram. "Como típicos jovens, eles criticam tudo", brinca o autor. Mas ele reconhece que a saga narrada nos quatro números inicias da série deu uma "escapada" para além do planejado. E promete, sobretudo, colocar a emoção e o sentimento em primeiro plano na continuação da série, uma caracteristica dos mangás, que seu público-alvo conhece bem.

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