O sorriso de Alice

Ela já é a jovem atriz brasileira de maior sucesso no exterior. Alice Braga vai aparecer nas telas em 2008 ao lado de astros como Will Smith, Jude Law, Harrison Ford, Sean Penn, Mark Ruffalo e Rodrigo Santoro

Luiz Carlos Merten, O Estadao de S.Paulo

02 de janeiro de 2008 | 00h00

Seu sorriso luminoso denota imediatamente que Alice Braga está de bem com a vida. Muito bem. A mais internacional das atrizes brasileiras veio ao Brasil para passar o Natal em família. Mas foi bate e volta. Alice já está retornando ao Canadá, para dar prosseguimento à rodagem do novo filme. Se você pensa que ainda é Blindness, é bom ir corrigindo. Depois da adaptação que Fernando Meirelles fez do livro Ensaio Sobre a Cegueira, do Prêmio Nobel José Saramago, Alice participa, no Canadá, de uma ficção científica estrelada por Jude Law. ''''Ele é muito boa gente'''', ela diz do seu parceiro em Repossession Mambo, de Miguel Sapochnik, e a definição também poderia se aplicar a Will Smith, que estrela a nova versão de I Am Legend, clássico de Richard Matheson, já filmado com Vincent Price e Charlton Heston.Pela primeira vez, o filme leva o título do texto que lhe deu origem, Eu Sou a Lenda. A estréia brasileira deve ocorrer no dia 18. No fim de semana anterior, o astro Will Smith, o roteirista e produtor Akiva Goldsman, vencedor do Oscar por Uma Mente Brilhante, e o diretor Francis Lawrence, de Constantine, são esperados no Rio. Como Alice não estará disponível nesta data, a distribuidora Warner aproveitou os poucos dias da atriz no Brasil, em seu recesso natalino, para realizar algumas entrevistas. Alice é uma estrela em ascensão. Falando de seu papel em Eu Sou a Lenda, o crítico do The New York Times disse que ela consegue dar densidade e sutileza a uma personagem que outra atriz menos talentosa talvez transformasse numa figura puramente decorativa.Aos 24 anos - completará 25 em abril -, Alice Braga é a primeira a se surpreender com sua ascensão vertiginosa. Depois de sua pequena participação em Cidade de Deus, de Fernando Meirelles, ela fez Cidade Baixa, de Sérgio Machado - e recebeu o prêmio de atriz da APCA, a Associação Paulista dos Críticos de Artes. No ano passado, fez A Via Láctea, de Lina Chamie. ''''Lina diz que eu sou uma atriz que se entrega aos papéis como aos diretores. Não acredito no cinema de outra forma. É tão difícil fazer um filme que eu acho que não se pode levar essa profissão pela metade. A entrega tem de ser total.''''É, no fundo, o que ela acha que está impulsionando sua carreira internacional. Depois de Só Deus Sabe, de Carlos Bolado, com Diego Luna, e Journey to the End of the Night, do norte-americano Eric Eason, rodado em São Paulo, Alice fez Redbelt, de David Mamet, com Rodrigo Santoro; Crossing Over, de Wayne Kramer, com Harrison Ford e Sean Penn; Blindness (com Mark Ruffalo e Julianne Moore) e agora Repossession Mambo. ''''O filme se baseia num livro de Eric Garcia e se passa num futuro próximo, quando órgãos humanos podem ser comprados a crédito. O problema é que, se você não paga em dia, as empresas podem confiscar seus órgãos e matá-lo. É o que ocorre com o personagem do Jude (Law). Ele passa a ser perseguido e tem de correr para salvar a vida.'''' Jude Law, que já foi considerado o homem mais sexy do mundo pela revista People, é apenas um dos astros internacionais com quem Alice tem contracenado.Will Smith, de Eu Sou a Lenda, é hoje uma top star nos EUA. Mais de uma publicação especializada o considera o número um de Hollywood, na atualidade, e o sucesso de Eu Sou a Lenda apenas referendou sua posição privilegiada. Eu Sou a Lenda bateu o recorde de O Retorno do Rei, fecho da trilogia O Senhor dos Anéis, e se transformou no filme de maior sucesso de bilheteria lançado no mês de dezembro, nos cinemas norte-americanos. ''''Will é muito bacana. E é um sujeito simples, muito centrado no trabalho. É fácil contracenar com ele. Em momento algum me senti intimidada. Pelo contrário, todo mundo fez questão de me deixar confortável e até foi criada uma explicação para a minha personagem, que vem de São Paulo.''''Na versão com Charlton Heston - A Última Esperança da Terra, de Boris Sagal, de 1971 -, o herói escapa ileso de uma hecatombe nuclear que elimina toda vida na Terra. Os raros sobreviventes viram mutantes que atacam à noite. Numa cena, para realçar a solidão de Heston, ele entra num cinema e assiste a um filme - Woodstock, de Michael Wadleigh. A cena é impactante. Heston se emociona ao ver aquela explosão de sexo e música, no documentário que celebra os três dias de realização do festival de rock que entrou para a história. Na nova versão, Will Smith acolhe na sua casa Alice Braga e o filho, que também sobreviveram à disseminação de um vírus que, originalmente, deveria combater o câncer. O garoto assiste a um DVD, Shrek. Smith repete os diálogos na ponta da língua. ''''Em todo o mundo, adultos e crianças transformaram Shrek numa referência de coisa inteligente e, mesmo que seja um desenho, humana'''', ela diz.É difícil para Alice representar em inglês? ''''Ah, sempre é, mas a gente termina por desenvolver um método. Trabalho com instrutores, que me ajudam a vivenciar o inglês. Tenho de ler e absorver o roteiro. Não poderia falar aquelas coisas traduzindo para o português e vertendo de novo para o inglês. Tenho tido sorte, porque os diretores me permitem, se necessário, fazer pequenas mudanças nos diálogos para que eu tenha mais facilidade em dizer as frases.'''' Alice filma atualmente no Canadá. Ela fez Eu Sou a Lenda em Nova York e Redbelt em Los Angeles. Vive como cigana.Ela está ganhando muito dinheiro? ''''Não posso me queixar'''', desconversa, mas deixa claro que, se as coisas materiais são importantes, a experiência e a troca continuam a ser valores sem preço para ela. ''''Estou aprendendo muito. É uma fase muito rica da minha vida.'''' E o amor? ''''Cadê tempo?'''', ela responde à pergunta com outra pergunta. Concluída a filmagem de Repossession Mambo, Alice volta ao Brasil. ''''Vou fazer o longa de estréia de Marco Ricca na direção.'''' Ela adorou contracenar com ele em A Via Láctea. Cabeça a Prêmio baseia-se em livro de Marçal Aquino. ''''Os diálogos são minimalistas e os personagens bem consistentes. Acho que o Marco poderá fazer um grande filme.''''

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