O rock melancólico dos americanos do Interpol

Em março, a apresentação da banda que se mantém atualizada em época de batida eletrônica deve ser destaque do ano

Jotabê Medeiros, O Estadao de S.Paulo

17 de janeiro de 2008 | 00h00

No ano passado, uma banda que não causava grandes expectativas veio ao Brasil e fez um showzaço no Credicard Hall, os ingleses do Keane. Este ano, o ''''azarão'''' da temporada, que tem tudo para fazer um surpreendente show, são os nova-iorquinos do Interpol. Tocam aqui no dia 11 de março, no Via Funchal. Ouça canções do Interpol no siteÉ um grupo que faz um rock melancólico, mas não depressivo; climático, mas com aquela pegada quase dance, quase pista. E está na crista da onda: no ano passado, tocou para 50 mil pessoas no festival de Coachella, na Califórnia. O que quer o Interpol? Será que é isso mesmo, mostrar uma certa vibração e pulsão que os mantenha atualizados numa era de batidas eletrônicas?''''É difícil dizer. Temos três discos diferentes, que são três capítulos de nossas vidas. É algo do tipo ''''aconteceu'''', entende? Nós colocamos as canções juntas, e elas parecem indicar isso, ou aquilo. Às vezes, parece rock com dance. O foco é apenas na música'''', disse anteontem à noite, ao Estado, o guitarrista do Interpol, Daniel Kessler, por telefone.O Interpol lançou seu terceiro disco, Our Love to Admire, em julho, após três anos sem gravar. Nesse período, o interesse em sua música só fez aumentar - a banda é formada ainda por Carlos Dengler, baixo; Paul Banks, vocais; e Sam Fogarino, na bateria. Eles se conheceram quando eram alunos da New York University, no final dos anos 1980 - havia um outro baterista, Gregg Duddy, que saiu do grupo no ano 2000.No início, faziam shows em lugares pequenos, clubes como o Mercury Lounge e o Brownie, de Nova York. Depois de uma turnê pela Inglaterra, em abril de 2001, participaram do célebre programa do DJ John Peel, na BBC, e o sucesso começou a chegar para os então emergentes astros indie.A banda é geralmente enquadrada na esteira dos grupos que exploram a sonoridade pós-punk, algo entre Chameleons e Joy Division, mas Kessler prefere não cravar uma influência definitiva. ''''Venho de uma família musical. Meus pais, meu irmão. Não posso me lembrar de um ponto em que algo possa ter sido mais determinante, nunca paro de ouvir música'''', disse.''''Acho que nós, como um grupo, nunca paramos para conversar sobre o que ambicionávamos quando criamos a banda. A idéia sempre foi fazer uma música que fosse desafiadora. Primeiro, nunca pensamos em gravar um disco. E isso aconteceu. Depois, nunca pensamos em tocar no rádio, e hoje tocam nossas músicas. A idéia sempre foi ser muito sincero e manter a conexão com a platéia. Aonde isso nos leva é sempre imprevisível.''''Kessler revela que o foco do Interpol é realmente diferente quando indica três artistas como músicos que ele anda ouvindo ultimamente. Um deles é a delicada Colleen (codinome da multiinstrumentista francesa Cécile Schott), um tipo de música neoclássica; o outro é a banda de origem alemã Liars, ultra-experimental; o terceiro é uma banda de Dallas, Daryl, que fez um disco fantástico, Ohio. ''''Gostei também do novo do Radiohead, é claro'''', completa, para não parecer blasé demais na lista indie de preferências. RepertórioObstacle 1C''''mereNarcPace Is The TrickSay Hello To The AngelsHands AwayMammothNo I In ThreesomeSlow HandsRest My ChemistryLighthouseEvilHeinrich ManeuverNot Even JailUntitledStella Was A Diver And She Was Always DownPDA

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.