O riso liberta o homem das amarras da lógica única

No canto IX da Odisseia, Ulisses diz ter rido depois de escapar da aniquilação pelo ciclope Polifemo. Quando o ciclope perguntou quem ele era, Ulisses o enganou com um jogo de palavras: "Meu nome é ninguém." Era um riso de vitória sobre o medo e a angústia. Ulisses torna-se uma espécie de herói cômico, aquele que tem a astúcia de "todo mundo e ninguém", é a esperteza apontada por Brecht nos pobres-diabos, que usam a própria cabeça para encher a barriga. A pesquisadora Cleise Furtado Mendes estuda os efeitos da catarse cômica, experiência que dribla a lógica e passa pelas veredas da paixão. A comicidade é capaz de virar pelo avesso verdades definitivas e de arrancar as máscaras de que se forma o medo.

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