Andreas Ahrens / Disgusting Food Museum via AP
Andreas Ahrens / Disgusting Food Museum via AP

O Repugnante Museu da Comida da Suécia inaugura mostra com bebidas alcoólicas revoltantes

Exposição temporária que começa neste final de semana tem misturas com cuspe e 'vinho de cocô'

Paul Rhys, Associated Press

04 de setembro de 2020 | 17h23

MALMO, SUÉCIA - Desesperados por um drinque? Há vinho de cuspe fermentado, bebida fermentada em banheiros de prisões, e uma forte cerveja escocesa servida da boca de um esquilo empalhado.



O Repugnante Museu da Comida de Malmo, na Suécia, onde podem ser vistos testículos de touro e queijo infestado de larvas, está atualmente lançando um verdadeiro menu de bebidas na forma de uma exposição temporária que será inaugurada no sábado.

O diretor do Museu, Andreas Ahrens, disse que a ideia é encorajar as pessoas a examinar sua relação com o álcool mostrando a que ponto extremo as pessoas chegaram para preparar bebidas que alteram a mente. “Em todo o mundo, as pessoas estão desesperadas para tomar um porre”, disse Ahrens. “Por isso, sempre que nos encontramos em uma situação em que não há álcool, nos tornamos muito criativos, e fazemos isto há milênios”.

Na sua maioria, as bebidas da mostra são comumente consumidas em alguma parte do mundo, mas que revoltarão estrangeiros não familiarizados com o seu sabor. Entre elas, licores amargos feitos de ervas, como o Gammel Dansk, consumido na Dinamarca, e o Fernet Branca, italiano. “Grande parte do que bebemos é um sabor adquirido”, disse Ahrens.

O museu da cidade sueca de Malmo foi inaugurado dois anos atrás. A ideia era enojar e ao mesmo tempo entreter - mas também estimular a reflexão sobre como as nossas noções do que seja delicioso ou revoltante, são determinadas culturalmente. Entre as dezenas de alimentos expostos há pênis de touro, smoothies de rãs do Peru, um vinho feito com camundongos, consumido na China e na Coreia, e o “surstromming” da Suécia, um arenque fermentado. Muitas das bebidas fermentadas expostas são igualmente nojentas. Uma delas é uma antiga bebida coreana preparada para fins medicinais com fezes fermentadas de criança e arroz.



Ahrens aponta para um jarro com um líquido leitoso, preparado com a ajuda de sua filha mais nova. Ele explicou que o “vinho de cocô” faz parte de um remédio tradicional sul-coreano para curar ossos quebrados e contusões, mas não é familiar aos coreanos de hoje. Outras bebidas da mostra são chicha de muko, uma cerveja de fubá fermentado com cuspe, do Peru, um gin de Uganda de bananas fermentadas, e vinho feito de laranja mofada fermentado no tanque dos banheiros de uma prisão.

Uma das peças expostas conta o que aconteceu na União Soviética quando o governo fechou as lojas de bebidas alcoólicas para reduzir o alcoolismo: as pessoas começaram a beber perfumes e verniz, o que provocou muitas mortes. Outro refresco líquido da mostra é uma cerveja da Islândia feita com testículos de baleia defumados em esterco de ovelha. “Algumas destas coisas são perfeitamente normais em algumas sociedades. Deveriam ser mesmo normais?”, observou Ahrens.

“Por que não damos ouvidos ao nosso cérebro e concluímos: Bom, se essa coisa tem este gosto, talvez não seja aconselhável bebê-la?”

Na entrada do museu, no centro da cidade, há marcas em um cartaz que indicam toda vez em que alguém vomitou durante a visita. Ahrens corrige um número em uma frase que agora diz: “dois dias desde o último vômito”.

Tradução de Anna Capovilla

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.