Daniel Teixeita/Estadão
Daniel Teixeita/Estadão

O que determina a cotação de obras de jovens artistas na SP-Arte?

Galeristas presentes na feira explicam quais são os principais fatores para definir o preço de quem está começando

Pedro Rocha, Especial para o Estado

15 Abril 2018 | 06h00

Se o conceito de uma obra de arte é subjetivo, muito mais é seu valor no mercado. A pedido do Estado, alguns galeristas presentes na 14ª edição da SP-Arte, que se encerra neste domingo, 15, no Pavilhão da Bienal, no Parque do Ibirapuera, em São Paulo explicam os principais critérios para definir o preço de obras de jovens artistas na feira. 

Nesta edição, um dos nomes mais fortes entre os estreantes foi Giovani Caramello, de 27 anos, artista paulista que trabalha com esculturas realistas em 3D. As cinco obras levadas para a feira pela OMA, galeria que tem como proposta trabalhar com jovens artistas, foram vendidas já nos primeiros dias. O preço médio foi de 30 mil reais. Segundo o proprietário da galeria, Thomaz Pacheco, ao menos cinco fatores são determinantes na escolha desse valor. “Sempre digo que o mercado é composto de vários endossos, o colecionador, a mídia, o institucional (museus), as galerias e o próprio público, ao aceitar o artista”, explica. “A coisa só é consolidada quando todos esses fatores são preenchidos.”

O preço inicial da obra vem de quanto custou para ser produzida, somado ao valor da galeria. A partir da experiência do artista, como participações em exposições ou em editais, o preço pode subir. “Embora Giovani seja jovem, participou no ano passado de uma residência artística na Alemanha, um projeto periférico da Documenta de Kassel, e teve uma obra adquirida no país”, esclarece Pacheco, que acredita que após esta primeira participação de Caramello na SP-Arte, seu trabalho deve ganhar uma valorização. “A feira é um marco. Recebemos aqui o convite de uma curadora. A partir disso, podemos justificar uma elevação no preço.”

“O que dá o preço do artista é o currículo dele”, opina Ricardo Rinaldi, da Emmathomas Galeria. Na feira, a galeria levou um painel de cinco metros do mineiro Alan Fontes, por 66 mil reais. “Alan tem uma carreira jovem, mesmo com o tamanho do quadro, não podemos cobrar um preço absurdo”, afirma. “Estimamos ainda pelo preço de custo, quanto o artista gasta de tempo e de material, e tentamos para chegar próximo dos valores de mercado.”

++ Prévia da SP-Arte é marcada por negociações e boa movimentação

Segundo Alexandre Gabriel, da galeria Fortes D’Aloia & Gabriel, o preço para artistas iniciantes pode ser definido também por comparação. “Existe o custo de produção, o custo da galeria e existe também o custo de mercado”, explica. “O preço inicial de um artista jovem se baseia por outros já existentes, com pesquisa e comparação com trabalhos semelhantes no mercado.”

Redes sociais, apesar de poderem popularizar os artistas, ainda não são fator determinante, acredita Gabriel. “Influencia, mas não é uma base sólida.” Uma das obras de Caramello foi adquirida pelo ator Bruno Gagliasso, que postou uma imagem em suas redes sociais, recebendo cerca de 200 comentários, a maioria de elogios. "O colecionador quer ver o trabalho do Giovani na rede social", acredita Thomaz Pacheco. "Quando as pessoas postam, a mídia também quer saber sobre ele e as podem perceber que está na hora do artista entrar na coleção de museu."

 

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