O piano quente de Marcia Ball

Pianista texana, tida como esteio de tradições musicais americanas, toca pela primeira vez no Brasil, amanhã, de graça

Jotabê Medeiros, O Estadao de S.Paulo

14 de agosto de 2009 | 00h00

Uma das mais célebres canções dos Rolling Stones é Honky Tonk Woman, que falava de uma "rainha de boteco de Memphis" que tocava o "honky tonk blues" e encantava o incauto, depois sumia com ele escadaria do bar acima. Agora, São Paulo vai conhecer a verdadeira "honky tonk woman", que não tem nada de traiçoeira. A comprida e branquela pianista, cantora e compositora texana Marcia Ball, de 60 anos, é possivelmente a mais formidável representante de um gênero fronteiriço americano - a junção do blues com o boogie-woogie, do country com os sons dos pântanos da Louisiana.Seu "cajun texano" é a principal atração do festival Bourbon Street Fest, que completa 6 anos como uma ponte musical entre berços culturais - New Orleans e São Paulo. Marcia desembarca amanhã no País pela primeira vez, e toca às 17h30 na primeira tarde gratuita do festival, no Parque do Ibirapuera (os shows começam às 15h30)."Paz, amor e churrasco" (Peace, Love and BBQ) é o título do disco de Marcia lançado em 2008, no qual ela toca com convidados como Dr. John, Terrance Simien e Tracy Nelson. Discípula de Irma Thomas e Professor Longhair, duas lendas sulistas do soul e do funk, ela é uma divertida e erudita figura que já foi indicada para dois Grammys e ganhou o título de Pianista do Ano duas vezes no tradicional Blues Music Award. Em 1999, tocou com B.B. King na Casa Branca, residência presidencial, em programa transmitido nacionalmente.Nascida em Orange, Texas (mesma cidade natal de Johnny Winter e Janis Joplin), ela cresceu em Vinton, na fronteira entre os dois Estados americanos, Texas e Louisiana. Tocava piano desde os 5 anos, e a sua mistura, notoriamente original por conter elementos das duas terras, tem reconhecimento em todos os quadrantes."É de onde eu venho, da Costa do Golfo do México, e eu tento honrar aquela tradição. E, se possível, fazer todo mundo dançar", disse a cantora e pianista, em entrevista ao Estado. Marcia falou por telefone de Austin, Texas, onde vive desde 1970. Ela conta que passava de carro pela cidade a caminho de São Francisco, e o carro quebrou. Ela levou a uma oficina para consertar e ficou dando uma incerta pela cidade. Gostou tanto que voltou para morar lá, onde está até hoje.No premiado filme The Blues (2003), de Martin Scorsese, o episódio dirigido por Clint Eastwood, intitulado Piano Blues, selecionou apenas alguns poucos pianistas vivos para ilustrar o desenvolvimento de um gênero - entre eles, Pinetop Perkins, Jay McShann, Dave Brubeck e Marcia Ball (a única mulher do lote).

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