O pensador que ainda desafia

MARX INCONTORNÁVEL: O título do livro de ensaios organizado pelo historiador Jorge Nóvoa (parceria da Editora da Universidade Federal da Bahia com a Editora da Unesp) foi pensado para provocar aqueles que defendem a superação das idéias do filósofo alemão. Em textos inéditos (alguns ao menos no Brasil), autores que se autoproclamam marxistas fazem oposição à hegemonia do pensamento neoliberal e defendem que a democracia não rima com os interesses do capital no mundo contemporâneo. Nóvoa, na introdução, reitera a observação de Francis Wheen, de que é preciso ler Marx sem os vícios das leituras economicistas e politicistas. É o que tentam fazer os 15 autores desses ensaios, que tratam desde a noção de imperialismo e da análise do capitalismo por Marx até a história imediata (a guerra dos EUA contra o terrorismo) e assuntos pouco explorados, entre eles a problemática relação do filósofo com o meio ambiente, tema de um ensaio de Renán Vega Cantor. Ou, ainda, com a arte, relação explorada por Antônio da Silva Câmara. Neste último ensaio, Câmara diz que, em que pese a crítica de Marx a Hegel, o filósofo não se afastou dele, assumindo a concepção hegeliana de que a arte é a apropriação do espírito por si mesmo. O francês Jean-Marie Bröm faz uma crítica aos "clássicos" do marxismo que expurgaram a morte, oculta no materialismo histórico, que esbarrou num dos seus maiores pontos cegos: a finitude. O Marx do século 21, diz Jacque Videt, não é o mesmo dos anos 1950, antes da leitura renovada de Habermas. Ele precisa ser relido sem preconceitos.

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