O pecado mora ao lado, ali no Rio

Nua e estonteante, Marilyn Monroe está no MAM carioca, clicada pelo fotógrafo Bert Stern semanas antes de sua morte

Roberta Pennafort, O Estadao de S.Paulo

23 Outubro 2007 | 00h00

Em exposição no Museu de Arte Moderna do Rio, as fotos de Marilyn Monroe nua, feitas pelo fotógrafo Bert Stern três semanas antes de sua morte, estão deixando os cariocas boquiabertos. Verdadeiras, elegantes, super-sensuais - esses são alguns dos adjetivos usados pelos visitantes para descrever os registros daqueles dias de junho de 1962, entre lençóis brancos e echarpes transparentes, numa suíte do hotel Bel-Air, em Los Angeles. O público é formado por fãs incondicionais, pais e filhos, gente que coleciona reportagens e DVDs de seus filmes e também pessoas que têm apenas uma vaga idéia do que ela representou (e representa). ''''Sou suspeitíssimo para falar, porque sou muito fã. Gosto da Marilyn desde que era criança, morava no Piauí e via as fotos dela na revista Cruzeiro da casa da vizinha'''', disse o dentista Raimundo Moura, de 58 anos, deslumbrado. ''''Acho que as fotos são incríveis porque são reais, são de um tempo pré-photoshop, não têm aquela produção toda. Parece que são só ela e o fotógrafo.'''' Moura se refere às imperfeições que dão às 60 fotos (coloridas e em preto-e-branco) ainda mais charme - e um caráter humano à estrela hollywoodiana: uma cicatriz recente no abdômen, de uma cirurgia de vesícula, rugas discretas ao redor dos olhos, os seios levemente caídos, falhas na maquiagem. A falta de retoques não diminui a sensação de embevecimento diante de Marilyn, aos 36 anos, em seu último ensaio fotográfico. Pelo contrário, a torna ainda mais encantadora. ''''Para mim, o que mais chama atenção é o fato de que o sofrimento e os problemas dela não aparecem. Ela estava linda como sempre, sorrindo, apesar do histórico de exploração e de desamor'''', comentou a assistente social aposentada Marisabel Guimarães, vidrada na musa desde a adolescência. O sobrinho Alex Guimarães Higa achou as fotos tão provocantes quanto as que são vistas hoje nas revistas masculinas. Como o estudante, muitos dos que percorrem os 137 metros quadrados da sala do MAM não assistiram a O Pecado Mora ao Lado, Os Homens Preferem as Loiras ou Quanto Mais Quente Melhor - apenas as fotografias mais célebres de Marilyn lhes são familiares. Ali, eles presenciam o namoro entre a câmera e o maior símbolo sexual de todos os tempos, uma profusão de sorrisos, caras e bocas, brincadeiras e poses ultra-sexy, 45 anos depois de sua partida. Era a segunda vez que ela se desnudava para um ensaio - a primeira fora para a Playboy, no começo dos anos 1950. Na maior parte das imagens, a diva aparece usando somente uma meia-calça cor da pele e echarpes que permitem que a vejamos por inteiro. A luz é linda e seu efeito, inebriante. Numa seqüência, Marilyn se enrola em lençóis brancos, ora deixando apenas os cabelos loiríssimos de fora, ora com o generoso bumbum para cima. Noutra, posa com pérolas e brilhantes, com cara de êxtase. Ela também surge na cama ao lado de Bert Stern, entre garrafas de champanhe e sapatos altos largados pelo chão (embora as fotos sugiram demasiada intimidade, o fotógrafo, que classificou a experiência com Marilyn de ''''pleno absoluto'''', jura que nada aconteceu depois dos cliques). Quatro fotos mostram a atriz chiquérrima, num longo preto e de luvas compridas. Aberta com atraso no dia 11, por conta de problemas na alfândega, a exposição foi trazida ao Rio pelo editor Geraldo Jordão, da Sextante, que a viu no Musée Maillol, em Paris, e ficou fascinado. Marilyn fica no Rio até o fim de novembro. Deve chegar a São Paulo em janeiro. Vale a pena esperar por ela.

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