O papel do cobre na construção da civilização

Mostra em Salvador tem como objetivo evidenciar a influência do metal, das artes plásticas à tecnologia

Tiago Décimo, O Estadao de S.Paulo

25 de setembro de 2007 | 00h00

Apaixonado por minerais e freqüentador assíduo de museus, o engenheiro chileno Alexander Leibbrandt, de 59 anos, nunca conseguiu entender por que seu país, maior produtor mundial de cobre, não tinha um acervo de peças feitas com o metal para mostrar sua importância histórica.''''Quando morei na Alemanha pela primeira vez, entre 1974 e 1984, notei que os europeus davam muito mais valor à história do que nós, latinos'''', lembra. ''''Havia museus com todos os temas, em todas as cidades.'''' Voltando do Velho Continente, Leibbrandt, que já trabalhava na estatal Corporação Nacional do Cobre do Chile (Codelco), passou a acalentar o sonho de montar um Museu do Cobre no país. Mas foi apenas no retorno à Europa, em 1992, que sua idéia tomou corpo. ''''Estava andando por uma rua onde há uma série de antiquários em Dusseldorf, na Alemanha, quando vi uma pulseira de cobre africana, com minhas iniciais gravadas, exposta em uma vitrine'''', conta. ''''Achei que era um sinal.'''' A partir daquele momento, o engenheiro passou a colecionar objetos de cobre diversos, produzidos em diversas partes do mundo ao longo dos tempos. Voltando ao Chile, seis anos depois, resolveu apresentar a idéia de fazer uma coleção institucional de peças de cobre para a direção da Codelco. Convenceu os colegas.PRESENÇA UNIVERSALHoje, 15 anos depois de começar a reunir artigos de cobre, Leibbrandt mostra, com orgulho, o resultado de seus esforços. São mais de 3 mil peças, que integram a Coleção Codelco, em exposição no Museu Nacional de História Natural do Chile, em Santiago, e no Museu de la Gran Minería, de Sewell. As peças foram divididas tematicamente, em cinco áreas: Beleza Milenar, O Cobre Escondido, Cobre: Presença Universal, O Homem de Cobre e As Grandes Culturas. E, a partir de amanhã, cerca de 400 peças, cunhadas entre as presentes nas três primeiras coleções, estarão em exposição no Museu Carlos Costa Pinto, em Salvador (BA).É a primeira vez que a mostra, chamada Cobre e Civilização, vem ao Brasil, com o apoio da Caraíva Metais - a maior compradora individual de cobre concentrado da Codelco no mundo, com 100 mil toneladas por ano. Já passou por países como México, Argentina, Uruguai e Venezuela. Depois da capital baiana, a exposição segue para São Paulo - ficará na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).A escolha das peças foi feita por Leibbrandt e pela diretora do museu soteropolitano, Mercedes Rosa. ''''Poucas pessoas notam a importância do cobre no desenvolvimento da civilização em diversas áreas, que vão das artes plásticas à tecnologia'''', acredita Mercedes. ''''A exposição tem essa intenção.'''' Os objetos cunhados para a mostra traduzem a variedade de usos do metal ao longo dos tempos. A coleção Beleza Milenar, por exemplo, apresenta esculturas raras e centenárias de países da África e da Ásia - destaque para os vasos e as jarras chinesas, para o elmo grego, do século 6 a.C., e para um espelho egípcio, confeccionado na época dos faraós.Na coleção Cobre: Presença Universal, objetos diversos mostram como o metal sempre foi largamente utilizado nas mais variadas áreas produtivas. Ali, misturam-se, entre muitos outros objetos, armas e instrumentos musicais, ferramentas de trabalho e utensílios para cultos religiosos de todo o mundo.Já as peças que têm como tema O Cobre Escondido fazem o visitante entender - por meio de motores, eletrodomésticos e itens de alta tecnologia, como chips, desmontados, por exemplo - como o cobre continua sendo amplamente empregado pela indústria.A exposição fica aberta em Salvador até sexta-feira,diariamente das 14h30 às 19 horas. O ingresso no Museu Carlos Costa Pinto custa R$ 5 - menores de 18 anos não pagam e maiores de 60 anos pagam R$ 3. Mais informações pelo telefone (0--71) 3336-6081.

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