O mito Elliott Erwitt faz livro brasileiro

Astro maior da feira SP-Arte/Foto, fotógrafo da agência Magnum vem a São Paulo e lança volume com imagens do carnaval

Antonio Gonçalves Filho, O Estadao de S.Paulo

01 de setembro de 2009 | 00h00

O norte-americano Elliott Erwitt - que, na verdade, nasceu em Paris há 81 anos, filho de imigrantes russos - é um mito da fotografia. No passado, fotografou Marilyn Monroe, um ano antes da morte da atriz, durante as filmagens de Os Desajustados (The Misfits, 1961), de John Huston. É dele uma das melhores fotos do líder revolucionário Che Guevara (com seu charutão, olhando para o céu)e uma outra que passou à história como símbolo da Guerra Fria: a do ex-presidente Nixon apontando o dedo para o líder soviético Kruchev, em 1959. Com frequência comparado a Cartier-Bresson e Robert Capa, os dois fundadores da Magnum, agência à qual pertence, Erwitt é a principal estrela da feira SP-Arte/Foto, que começa no dia 9 (leia texto abaixo). De Nova York, concedeu por telefone uma entrevista ao Estado, falando pouco do passado e anunciando seus novos projetos.Após sua participação na feira SP-Arte/Foto, trazido ao Brasil por Jully Fernandes, proprietária da Galeria de Babel, Erwitt estará lançando um dos dois livros programados para este ano. O primeiro, um ensaio sobre Roma, reúne fotos dos últimos 50 anos e também recentes, que atualizam sua visão sobre a capital italiana - Erwitt passou parte da infância em Milão e tem uma afinidade particular com o país. O segundo livro deve muito ao Brasil. Erwitt esteve aqui em fevereiro e foi levado por Jully para ver o carnaval do Rio. Atordoado com a orgia cromática carioca, resolveu produzir um livro usando um alter ego. Chama-se The Art of André S. Solidor. Trata-se de um fotógrafo meio tropicalista, que usa roupas extravagantes, carrega uma máquina fotográfica de turista junto ao peito e pode ser visto sambando ao lado de duas passistas do Salgueiro. Será o "lado B" de um fotógrafo austero, identificado com assuntos sérios (como segregação racial) e que sempre fotografou em preto e branco."Solidor, ao contrário, é um livro grande, supercolorido", adianta Erwitt, contando que se divertiu um bocado produzindo essa obra "anônima" sobre a arte de montar uma cena para ser fotografada. É o contraponto do livro sobre Roma, embora Erwitt tenha registrado na Itália imagens igualmente artificiais. Pergunto a ele quais personagens mais aparecem no livro e Erwitt responde: "Papas." Assim, no plural. "Fotografei todos os papas nos últimos 50 anos." Provocando o fotógrafo, cujos pais eram comunistas, insisto: "Mas o senhor é católico?" Ele diz que não. "Mas não resisto às roupas do papa; elas são tão teatrais, coloridas."Não se deve concluir dessa observação que Erwitt seja desrespeitoso. Seu olhar é cândido e sua graça, quase infantil. Prova disso é sua mais famosa foto, a das pernas de uma senhora comparadas ao tamanho de um assustado chihuahua (1946). Erwitt adora cães. "Eles são simpáticos, estão por toda a parte e não se diferenciam muito dos humanos, exceto pelo fato de não pedirem cópias das fotos e terem mais cabelos." Não no caso de Marilyn Monroe, cuja cabeleira loira ajudou a fazer sua fama. "Ela era uma criatura adorável", lembra, revelando que a série com as fotos da atriz não foi iniciativa sua, mas uma encomenda do estúdio. É claro que ele aproveitou para fazer fotos mais pessoais fora do filme de Huston. Erwitt gosta tanto de pessoas como de seu cão Sammy, um obstinado cairn terrier de 14 anos."Hoje ficou mais difícil fotografar pessoas nas ruas, especialmente na França, onde elas podem te processar, mas nunca tive problemas com os franceses além de raros protestos." Justamente os patrícios. ServiçoErwitt/SP-Arte/Foto. Espaço Iguatemi. Av. Brig.Faria Lima, 2.232, 9.º andar. De 10 a 13/9Erwitt/ Magnum. Galeria de Babel. R. Virgílio de Carvalho Pinto, 422. A partir de 12/9

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