O mito do Jesus and Mary Chain

O escocês Jim Reid, vocal do grupo, fala da terceira vida de uma das mais influentes bandas dos anos 80

Jotabê Medeiros, O Estadao de S.Paulo

08 de novembro de 2008 | 00h00

Jesus and Mary Chain é uma daquelas bandas que nunca tiveram um hit no topo das paradas, e que nunca teriam lotado um Morumbi ou um Maracanã, mesmo em seu auge. Mas é um grupo cuja influência atravessa as décadas e estimula garotos e garotas a formarem bandas anos depois de seu epílogo. Ou seja: Jesus and Mary Chain é um mito.O grupo dos tormentosos irmãos escoceses Jim e William Reid volta ao Brasil hoje com esse mito enormemente inchado, especialmente depois de uma música sua, Just Like Honey, ter fechado com arte & delírio um dos cult movies dessa geração, o filme Encontros e Desencontros.Não é a primeira vez do Jesus no Brasil. Em 1º de julho de 1990, eles tocaram em São Paulo, o ingresso custava Cr$ 1 mil e Collor tinha acabado de confiscar a poupança da platéia, tava duro até de comprar cerveja. Os irmãos Reid tocaram de costas para a platéia, erravam barbaramente os riffs e as entradas e terminaram com uma versão de 12 minutos de Sidewalking, segundo contou um leitor de qualidade que esteve lá. Outra testemunha daquele show, Paulo X, lembrou de um comentário de um radialista que trabalhava na rádio que promoveu o concerto do J&MC em Curitiba: "Os caras são um bando de drogados fedidos."Jesus and Mary Chain surgiu em Glasgow, em 1984, numa formação que tinha o baixista Douglas Hart e o baterista Murray Dalglish (trocado depois por Bobby Gillespie, que sairia mais tarde para fundar o Primal Scream). No último dia 17, a reportagem do Estado falou com Jim Reid por telefone.O que você lembra da única vez que esteve no Brasil?Não posso dizer nada a respeito. Eu estava tão bêbado no palco que não me lembro de nada. O que posso dizer agora é o seguinte: eu não bebo mais. Então vou me concentrar apenas em tocar.O Jesus and Mary Chain vive sua terceira vida agora, e a inserção de sua música no filme Encontros e Desencontros tem muito a ver com isso, não?É verdade. Mas quando alguém coloca uma música sua num filme, sempre depende do jeito que ela é usada. Às vezes, pode ser um mau negócio. No caso de Just Like Honey no filme Lost in Translation, a música caiu muito bem na cena. Além de tudo, é um bom filme, o que é uma boa coisa.Como aconteceu o encontro de vocês com a atriz Scarlett Johansson em Coachella, no ano passado?Ela estava na região, filmando. Tinha feito o filme. Nós nunca a tínhamos encontrado antes. Mas aí veio a idéia. Ela veio, cantou. É muito charmosa, muito doce. Foi algo especial, embora musicalmente não represente grande coisa.Vocês têm influência em muitas bandas atuais. Tem alguma banda nova que você goste?Das bandas novas, gosto muito do The Kills, do Warlocks. Eu gosto de um bom rock?n?roll, de ?noisy guitar music?. Muita banda hoje, como The Kills, se tivesse aparecido nos anos 60 provavelmente só conseguiria tocar para 100 pessoas. O que costumava ser underground, hoje pode ser o mainstream. As pessoas hoje em dia são mais receptivas a músicas extremas. ServiçoFestival Planeta Terra. 18 anos. Villa dos Galpões (15.000 lug.). Av. das Nações Unidas, 20.003, Santo Amaro, 2846- 6000. Hoje, a partir de 15 h. R$ 130 (esgotados). Estac.: R$ 30

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