Galeria Nara Roesler
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O impacto da pandemia no mercado de arte

A pesquisa, iniciativa do Projeto Latitude realizada pela Abact e Apex, indica que as galerias maiores sofreram mais

Antonio Gonçalves Filho, O Estado de S. Paulo

11 de dezembro de 2020 | 07h00

Um estudo que analisa o impacto da pandemia do covid-19 no mercado de arte em quatro países da América Latina (Argentina, Brasil, Chile e Colômbia) revelou que, a despeito de todos os problemas decorrentes da mesma, o setor teve um desempenho positivo. Ele seria, de acordo com a pesquisa, um reflexo da adaptação e colaboração entre as empresas durante a crise. Galerias, escritórios de arte e outros agentes do mercado de arte contemporânea brasileira de menor porte, que movimentaram até R$ 500 mil em 2019, conseguiram até melhores resultados em 2020, mesmo sendo este um ano problemático. A pesquisa, uma iniciativa do Projeto Latitude, foi realizada pela Associação Brasileira de Arte Contemporânea (Abact) em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil). O estudo foi conduzido e desenvolvido pela Além Consultoria em Cultura.

No Brasil, entre os 78 agentes que responderam à pesquisa, há empresas, como se disse, que movimentaram até R$500 mil em 2019, mas outro grupo chegou a realizar vendas que atingiram mais de R$10 milhões no ano passado. Em comparação ao último ano, a maioria dos brasileiros (58%) que respondeu à pesquisa revelou um volume de negócios igual ou superior, de janeiro a março. Já de abril a junho, meses em que a pandemia cresceu, 56% confirmou uma variação negativa no volume de negócios. No trimestre seguinte, houve uma recuperação do setor – e 55% dos pesquisados indicaram uma variação positiva dos negócios fechados no período. As empresas maiores, que movimentaram mais de R$10 milhões no ano passado, em sua maioria tiveram vendas equivalentes ou melhores no primeiro trimestre; piores no segundo e melhores no terceiro trimestre.

Já as vendas internacionais, até mesmo em função das dificuldades do trânsito entre países e da logística de transporte, não foram tão bem. Muitas galerias brasileiras têm instalado escritórios ou filiais nos EUA e Europa, na tentativa de divulgar a arte nacional lá fora e conquistar novos mercados, mas, segundo a pesquisa, sete entre 13 pesquisados que movimentaram até R$ 500 mil em 2019 não realizaram vendas para o exterior em 2020. Aqueles que realizaram, ainda segundo o estudo, revelaram que as vendas se mantiveram no mesmo patamar em relação ao ano passado.

 A pesquisa revelou que o impacto da pandemia foi mais grave para empresas que movimentam um maior volume de recursos, marcam presença nas feiras de maior prestígio e têm maior projeção internacional. As pequenas galerias tiveram melhor desempenho e registraram perdas menores do que esse grupo das galerias com as maiores receitas.

Outra consequência da pandemia foi o cancelamento de eventos presenciais, o que não impediu que as galerias de arte participassem de feiras internacionais adaptadas ao formato virtual. De acordo com o estudo, 83% dos agentes do mercado de arte nacional aderiram às feiras online, como a Latitude Art Fair. As empresas também implementaram mudanças em suas estruturas,  ampliando a presença digital, renovando seus sites ou investindo em novos conteúdos.

Parcerias e colaborações também se tornaram comuns: 66,1% dos agentes do mercado brasileiro estabeleceram novas parcerias e novas práticas, como a divisão de meta de vendas com outras galerias.

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